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CIDADES
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 20h:42

BANCO CENTRAL

Alemão nega ligações

Interrogado por juíza do Trabalho, através de videoconferência, ladrão negou ter casa em Manso

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
O assaltante Antônio Jussivan Alves dos Santos, o “Alemão”, acusado de ser o responsável pelo assalto ao Banco Central em Fortaleza (CE), negou ser o dono da casa de campo na comunidade Paraíso do Manso, em Chapada dos Guimarães, e muitos menos que o caseiro Evael Santana da Silva e a faxineira Luciene Maria de Moraes são seus funcionários. Eles processam Alemão para receber direitos trabalhistas. A audiência de conciliação foi realizada ontem, na sede do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso, em Cuiabá. O ladrão, preso no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande (MS) por ter promovido o maior assalto a banco da história do país, respondeu às perguntas da juíza Márcia Martins Pereira via videoconferência. Esse tipo de audiência é a primeira de cunho trabalhista realizada pela Justiça em Mato Grosso. Diante dos argumentos da Direção do Presídio de Campo Grande apontando as dificuldades e os custos para o transporte de um preso de alta periculosidade até Cuiabá, a juíza deferiu a realização da audiência inicial por meio desse recurso tecnológico. A sessão se iniciou às 13h08 de ontem, em uma sala da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) do TRT, dotada de equipamentos de áudio e vídeo que possibilitaram a conexão com o presídio da capital sul-mato-grossense. Como não houve entendimento das partes, a magistrada designou uma nova data para a primeira audiência de instrução. No dia 7 de julho, às 15h, todas as testemunhas de acusação e de defesa serão interrogadas. Alemão também irá participar da mesma forma que ontem: por meio de videoconferência. Os dois empregados exerciam funções de manutenção da casa e pedem o valor de R$ 95.216,46 referentes a salários atrasados, pagamento de 13º, férias, multas, indenização por danos morais e despesas advocatícias. No último dia 26 de fevereiro, Antônio Jussevan Alves dos Santos foi preso no Distrito Federal. Ele morava numa casa simples, onde os policiais descobriram pouco mais de R$ 80 mil enterrados embaixo do fogão. Alemão é apontado como o homem que detinha informações sobre o volume de dinheiro que havia no cofre do BC de Fortaleza e sobre o sistema de segurança de três prestadores de serviço da instituição. O bando levou mais de R$ 164 milhões, divididos entre pelo menos 36 assaltantes, 11 deles recrutados pelo suposto mentor. Por ter tido maior participação no crime, Alemão, segundo a polícia, recebeu entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões, o dobro dos demais integrantes do bando. LIGAÇÕES COM MT – Além da casa de sua propriedade em Chapada dos Guimarães, ainda consta o registro de uma casa em nome de Alemão no bairro Poção, em Cuiabá. O imóvel foi levantado pelo advogado dos funcionários, Hélio Machado da Costa Júnior. Além disso, no mesmo dia da prisão do assaltante, a sogra de Alemão, Rosalina Oliveira Pontes, também foi presa na cidade de Nobres, 113 quilômetros ao norte de Cuiabá. Ela é acusada de administrar parte dos bens adquiridos com dinheiro do roubo e está presa no presídio feminino Ana Maria do Couto, em Cuiabá.

Edição EDIÇÃO 16964




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