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CIDADES
Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013, 21h:40

OPERAÇÃO MIQUÉIAS

Advogado é indiciado

Tortorelli vai responder por formação de quadrilha e tráfico de influências, mas nega fazer parte do esquema

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
O advogado Marden Tortorelli, ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de participar de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Na manhã desta quinta-feira, a operação Miquéias foi deflagrada no país. A PF cumpriu 27 mandados de prisão e 75 de busca de apreensão em nove estados. Tortorelli foi o único alvo em Mato Grosso. Agentes da PF foram até a casa do advogado em um condomínio de Cuiabá. Do local, onde foi cumprido um mandado de busca e apreensão, os policiais levaram documentos, computadores, além de três carros de luxo. Entre os papéis apreendidos estavam documentos do secretário de articulação institucional de Mato Grosso em Brasília, Éder Moraes, com quem tem estreitas relações. De acordo com informações da PF, Tortorelli seria um dos “lobistas” do bando. Ele foi indiciado por formação de quadrilha e tráfico de influência. A investigação durou aproximadamente 18 meses. O esquema consistia em convencer prefeitos e gestores dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) a aplicar recursos das entidades em fundos de investimentos fraudulentos, com papéis geridos pela quadrilha. Os gestores eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado e o restante do dinheiro era desviado para empresas de fachadas. A PF identificou 30 empresas de fachada e mais de R$ 300 milhões das contas desses fundos que foram sacados durante o período. O prejuízo para os fundos de pensão é de R$ 50 milhões. Tortorelli seria o responsável por organizar reuniões com os prefeitos e os administradores dos fundos de previdência de servidores públicos com investidores de uma empresa de fachada, a Investe Investimentos Inteligentes. Outra estratégia do grupo era utilizar garotas muito bonitas, as “pastinhas”, para aliciar os prefeitos. Após o depoimento, Tortorelli negou a participação no esquema e afirmou que somente foi procurado para prestar um serviço de assessoria jurídica à empresa Investe em 2012. Ele afirmou também que o negócio não foi concluído. Segundo o advogado, a empresa pediu que ele analisasse documentos referentes a prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande. Ele também deveria realizar a analise dos fundos de prefeituras do interior, como Lucas do Rio Verde, Feliz Natal, Colíder, Aripuanã entre outras das quais ele não lembra mais. Tortorelli afirmou que a apreensão dos três carros de luxo foi irregular, pois somente um dos automóveis pertence a ele. Ele disse que o outro veículo é da sua mãe, que havia dormido na residência dele. O terceiro carro pertenceria a um amigo, que havia o emprestado para uma viagem pelo interior do estado. Ele afirmou que não é “laranja e nem tangerina” de Éder Moraes, mas que tem uma forte relação de amizade com ele. Os documentos encontrados seriam referentes a causas defendidas por ele, tendo Éder como cliente.

Edição EDIÇÃO 16964




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