A delegada de Defesa do Consumidor (Decon), Ana Cristina Feldner, reconhece que a estrutura da polícia não atende à demanda, mas diz que a maior dificuldade do combate à pirataria está exatamente na aceitação social, na maneira como quem vende é visto socialmente. O vendedor é o coitadinho, aquele que precisa de emprego e renda, e não alguém que pratica crime, afirma. Ela destaca que a polícia sofre críticas todas as vezes que faz uma ação de combate. Ao contrário do que se propaga, a delegada observa que nem todos os chamados ambulantes são pessoas que atravessavam dificuldades financeiras, que não tiveram ou perderam oportunidades de emprego. De acordo com ela, operações policiais já mostraram que há grandes empresários no ramo das falsificações, donos de diversas bancas em um mesmo centro comercial, por exemplo. De acordo com Ana Cristina, isso ficou constatado durante o ano passado, no período da Copa do Mundo, quando a polícia fiscalizou e apreendeu produtos falsificados com a marca da FIFA (Federação Internacional de Futebol). Ela destaca que a repressão não é exclusividade da polícia. Fiscalizar e coibir a venda de produtos falsos é responsabilidade da prefeitura também. Ana Cristina também responsabiliza o consumidor que adquire produtos pensando somente no preço, não no que pode ter ocorrido durante a produção, se empregou mão de obra escrava, por exemplo. Ou ainda, nos riscos à própria saúde e segurança por consumir algo que não tem procedência e nem garantia. A delegada avisa que não existe réplica ou produtos de segunda linha, como muitos costumam dizer como argumento para justificar a aquisição de produtos piratas. (AA)