CIDADES
Terça-feira, 17 de Março de 2009, 20h:25
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UNEMAT
Acadêmicos organizam protesto
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
A comunidade acadêmica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) está se organizando em protestos em seis dos 11 campi da instituição no Estado. Há meses marcado pela insatisfação com a conduta do reitor Taisir Karim, que se recusa a aplicar determinações do último Congresso Universitário, os acadêmicos desta vez protestam contra as férias coletivas de professores que a administração institucionalizou por cerca de 4 meses, supostamente a fim de economizar recursos da administração falida. Ontem à noite, estava marcada uma das manifestações de estudantes, técnicos e professores, que aconteceria em uma praça pública do município de Juara (a 709 quilômetros de Cuiabá), onde a Unemat mantém um de seus campi. Outras manifestações podem acontecer em Cáceres, Sinop, Alto Araguaia, Alta Floresta e Tangará da Serra. De acordo com a pró-reitoria de Ensino da Unemat, as aulas em 2009 devem se encerrar no dia 13 de novembro e retornar em meados de março. As tais férias coletivas, como se refere a Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat), consistiriam no cumprimento de licenças-prêmio de aproximadamente 250 professores. Ao todo, cerca de 700 professores trabalham na Unemat, mas a reitoria informa que toda a atividade de ensino seria paralisada durante o período. Os trabalhos de lançamento de notas e matrículas seriam sobrecarregados aos funcionários e apenas atividades de pesquisa e extensão seguiriam normalmente. A presidente da Adunemat, Maria Ivonete de Souza, afirma que resolução é unilateral. O cumprimento das licenças-prêmio é obrigatório por força de um decreto governamental, que impede o acúmulo do direito por parte dos funcionários. Porém, a reitoria não submeteu a medida aos Conselhos Universitário (Consuni) e de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe). Assim, toda informação referente às tais férias coletivas chegou indiretamente à comunidade acadêmica, sem informe oficial. A administração também não planejou um cronograma para o cumprimento dos benefícios. Porém, de acordo com o setor de gestão de pessoas da Secretaria de Estado de Administração (SAD), a Unemat tem autonomia para cumprir com as licenças especiais da maneira que definir. Isso é motivo de vexame profissional, alega Maria Ivonete de Souza. Ela frisa que, em nenhum momento, as contas da universidade foram abertas ou divulgadas. Assim, ficaria impossível determinar se a paralisação provocada pela reitoria teria como conseqüência uma economia significativa para os cofres da universidade. Porém, o próprio reitor já teria admitido a falência administrativa da instituição, o que ele não confirma, chamando os professores de mentirosos em suas acusações. É lógico que a crise existe. Se não me falha a memória, o mundo inteiro está nessa crise, mas não é este o problema na Unemat. O que acontece é que estamos cumprindo com o direito da licença especial. Para isso, precisamos reorganizar o calendário acadêmico, mas não haverá prejuízos, pois todos os 100 dias-aula de cada semestre serão preservados, defendeu-se Taisir Karim. CONFLITO - Karim voltou a afirmar que as acusações da Adunemat possuem um mote eleitoreiro, visando à próxima escolha para a reitoria no ano que vem. O reitor se encontra em situação delicada no cargo por conta da recusa em institucionalizar mudanças no estatuto da universidade estabelecidas pelo último Congresso Universitário. O próprio Ministério Público já exigiu, no dia 6, que ele convoque o Consuni para a elaboração do novo estatuto da universidade a ser homologado pelo Conselho Curador. O reitor é claramente contrário às mudanças que integrariam o novo estatuto. Entre elas, a exigência de doutorado para o docente que se candidatar a reitor e o fim da reeleição.