Cuiabá tinha 94 mil habitantes quando o DIÁRIO circulou pela primeira vez. A energia era gerada por conjunto termelétrico e pela usina do rio Casca. Não havia acesso rodoviário pavimentado à cidade. O perímetro urbano era restrito a área que se estende do rio que lhe empresta o nome ao corredor viário formado pela Avenida Miguel Sutil e às margens da Avenida Fernando Corrêa da Costa, ao bairro Coxipó. Pedro Pedrossian era governador de Mato Grosso. O deputado Emanuel Pinheiro presidia a Assembléia Legislativa constituída por 30 parlamentares. Frederico Campos era prefeito nomeado. O vereador Antônio Ribeiro Leite Filho presidia a Câmara Municipal e o Tribunal de Justiça era presidido pelo desembargador Leão Neto do Carmo. No final dos anos 1960 não havia tratamento de esgoto em Cuiabá. Transcorridos quase quarenta anos, apenas 20% do esgotamento são tratados e os 80% restantes lançados in natura no rio Cuiabá, juntamente com 92% do esgoto de Várzea Grande, na margem oposta. A violência ainda não estava incorporada ao cotidiano cuiabano. Tradicionalmente as famílias se reuniam nas calçadas ao entardecer e não corriam nenhum risco. Cuiabá era conhecida nacionalmente como a cidade que se despertava ao som da grosa ralando pau de guaraná, energético ainda muito consumido na área metropolitana e no Pantanal, mas que atualmente é vendido ralado por indústrias especializadas. A primeira ação do crime organizado em Cuiabá mereceu seguidas manchetes do DIÁRIO. Em janeiro de 1973, um grupo fortemente armado assaltou uma agência bancária na área central. Militares do 16º Batalhão de Caçadores, agora 44º Batalhão de Infantaria Motorizada, e policiais militares e civis sitiaram a cidade. Esse caso, por muito tempo, dominou as conversas nas esquinas e entre vizinhos. A campanha pela criação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Cuiabá também foi escrita com as letras do DIÁRIO. Em 10 de dezembro de 1970 o presidente Emílio Garrastazu Médici atendeu ao clamor cuiabano e assim nasceu a UFMT, então chamada de Uniselva, que teve como embrião a fusão da Faculdade de Direito de Cuiabá e o Instituto de Ciências e Letras de Cuiabá. O primeiro reitor da UFMT foi o médico Gabriel Novis Neves. O atual é o professor Paulo Speller. A universidade tem 20 mil estudantes em quase 70 cursos de graduação e 60 de especialização, 930 professores e 1.760 servidores. Em sua trajetória o DIÁRIO sempre esteve ao lado da UFMT, que foi e continua sendo uma de suas causas. (EG)