CIDADES
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009, 20h:42
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BARRA DO BUGRES
7 presos por venda ilegal de peixe
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
A um dia do fim da Piracema, a Polícia Federal (PF) prendeu ontem, na Terra Indígena Umutina (região de Barra do Bugres, a 165 quilômetros de Cuiabá), sete pessoas acusadas de comercializarem pescado irregular durante o período de reprodução das espécies de água doce. As prisões são parte da Operação Uauiara, deflagrada na madrugada de ontem e que deve se estender até hoje. Os sete presos foram encaminhados na tarde de ontem à Superintendência da PF em Cuiabá para prestarem depoimento e logo depois seguiram para a Penitenciária Central do Estado (antigo presídio do Pascoal Ramos). Apesar de terem sido presos na região da reserva indígena Umutina, nenhum deles é índio. São todos conhecidos como atravessadores, intermediários do comércio ilegal, que compravam o pescado dos índios e revendiam a estabelecimentos comerciais. O comércio ilegal de pescado ocorre há mais de 14 anos na região. Os índios não negam o esquema. Afirmam que o fazem para a própria sobrevivência, diante de insuficientes sacolões remetidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) tem constatado a prática ilegal e seus registros de flagrante serviram de base para a deflagração da operação policial. De 80 a 100 toneladas de peixes seriam retiradas anualmente na área da reserva durante a Piracema. Tanto estabelecimentos comerciais de Barra do Bugres quanto de grandes centros seriam abastecidos pelo pescado irregular, vendido a preços muito abaixo dos de mercado (entre R$ 1 e R$ 3 por quilo, segundo a PF). Já os atravessadores, como os que foram presos ontem, venderiam o pescado pela quantia aproximada de R$ 17. Os presos devem responder por crimes contra o meio ambiente, corrupção e formação de quadrilha. A 1ª Vara Federal expediu 13 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. Até o fechamento da edição, o saldo era de sete presos. A localização dos acusados em seus endereços tem sido uma dificuldade para os agentes da operação. Já a grande apreensão prevista não pôde ser realizada. A PF suspeita que os índios estavam de sobreaviso sobre a operação, pois impediram a entrada de todo o efetivo policial na reserva e esconderam o material que seria apreendido, segundo a PF. Houve truculência. Os índios exibiam foices. Um helicóptero da Coordenação de Aviação Operacional (Caop) da PF sobrevoou a reserva indígena e avistou os contêineres mantidos pelos índios. Todos estavam abertos e vazios, o que frustrou a execução do principal mandado de busca e apreensão da Uauiara. Como não havia o objeto a ser apreendido, a busca foi abortada. Até a noite de ontem, a PF não divulgou se algum mandado de apreensão foi cumprido, mas ainda hoje os agentes voltam a campo para executar os demais 6 mandados de prisão. A operação envolveu um efetivo de 80 agentes da PF, 30 da Força Nacional e 35 da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.