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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 07 de Abril de 2012, 13h:02

BRASIL/EUA

Visita de Dilma poderá aprofundar as relações

Dilma Rousseff também quer promover uma qualificação da mão-de-obra e atrair parcerias

Em sua visita de dois dias aos EUA, que começa nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff tentará aprofundar uma relação bilateral que é ampla, mas superficial. A decisão da presidente de fazer metade de sua agenda na cidade de Boston - sede da prestigiosa Universidade de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Techonology) - deixa claro o quanto a visita se concentrará na questão dos intercâmbios de pessoas e de ideias. Uma década de crescimento econômico fez da mão-de-obra qualificada um recurso escasso no Brasil - um tendão de Aquiles para o desenvolvimento e um empecilho que Dilma tem tentado combater. Ela deve promover nos EUA o programa Ciência Sem Fronteiras, que pretende conceder mais de 100 mil bolsas a estudantes de graduação e pós. A grande maioria é de brasileiros que querem estudar no exterior, e grande parte deve ter como destino os EUA. Em Washington, além de encontros com o presidente Barack Obama, Dilma deve discursar ao fim de um seminário empresarial promovido pela Câmara Americana de Comércio. A ocasião servirá para promover a colaboração entre empresas brasileiras e americanas, abrindo espaço para a inovação. No passado, as colaborações entre Brasil e EUA nos campos da agricultura, aviação civil e energia ajudaram o Brasil a se tornar um líder mundial em todos esses setores. Com a atual investida, a presidente Dilma Rousseff quer promover uma qualificação da mão-de-obra e atrair parcerias que possam injetar inovação na economia brasileira. "O Brasil melhorou até um certo nível, mas para avançar mais precisa resolver problemas domésticos estruturais, fazer sérias reformas", disse o diretor do Brazil Institute do centro de pesquisas Woodrow Wilson, Paulo Sotero. "É nesse contexto que Dilma decidiu que o tópico da sua visita serão coisas que funcionaram no passado, que têm a ver com educação, ciência e tecnologia, aspectos que podem melhorar a qualidade do desenvolvimento." A viagem ocorre pouco mais de um ano após Dilma receber o presidente americano, Barack Obama, em Brasília. Na época, analistas avaliaram que Obama pretendia "refundar" as relações com o Brasil. No plano diplomático, os países estavam à deriva um do outro, após o veemente rechaço americano ao esboço de um acordo nuclear negociado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega turco com o Irã. Nas Américas, o recém-empossado governo hondurenho, ao qual Brasil e EUA se opuseram a princípio, também foi alvo de atritos, depois que Washington cedeu às pressões domésticas e reconheceu o governo de Porfírio Lobo. "Esta visita é uma continuação do exercício de retomar a confiança mútua, que começou com a visita de Obama", disse o diretor do Brazil Institute. Entretanto, a decisão do governo americano de não receber a presidente Dilma em visita de Estado tem criado polêmica e, para muitos, enviado precisamente um sinal contrário a essa resolução. "Dilma vem com uma abordagem muito mais de botar a mão na massa, de fazer negócios. Mas é possível notar, entre os seus diplomatas, que há uma certa decepção por esta visita não ser de Estado", avaliou o analista João Augusto de Castro Neves, do think tank Eurasia Group em Washington. "O Brasil se compara a Índia e China, que tiveram recepções de Estado. Hoje, o Brasil se vê como uma importante potência emergente, com uma agenda global", acrescentou. COOPERAÇÃO Os dois maiores e mais influente países do continente têm uma longa história de cooperação, mas uma desconfiança mútua e divergências políticas impossibilitaram o aprofundamento das relações bilaterais. Entre 2001 e 2011, na década que viu a emergência da China como potência e parceira comercial do Brasil, o comércio entre Brasil e EUA cresceu 120%, para US$ 60 bilhões. Entretanto, representa hoje 12% do comércio brasileiro com o exterior --metade do patamar em que estava dez anos atrás. No mesmo período, o comércio com a China se multiplicou inúmeras vezes, chegando a US$ 77 bilhões em 2011. Peter Hakim, presidente emérito do Interamerican Dialogue, em Washington, acha que na relação entre Brasil e Estados Unidos "parece que está faltando alguma coisa". "Os dois países têm muito a oferecer um ao outro, mas precisam começar [a cooperar mais]."

Edição EDIÇÃO 16968




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