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BRASIL
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 19h:57

PARLAMENTARES

Um em cada três responde ação no STF

GUSTAVO URIBE
Da Agência Estado - São Paul
Praticamente um em cada três líderes de bancada no Congresso responde a inquérito ou ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes que vão de formação de quadrilha a lavagem de dinheiro, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo site Congresso em Foco. Dos 36 parlamentares que ocupam os cobiçados gabinetes das lideranças na Câmara e no Senado, 11 são alvo de procedimentos no STF. Em quatro desses casos, os investigados já respondem a ações penais, passando de investigados a réus: os senadores João Ribeiro (PR-MA) e Mário Couto (PSDB-PA) e os deputados Sandro Mabel (PR-GO) e Cléber Verde (PRB-MA). Os responsáveis por comandar bancadas no Congresso respondem ao todo a 19 processos. Os dois líderes do PR são os que colecionam o maior número de procedimentos, com três denúncias cada. Procurados pela reportagem, os gabinetes dos líderes do PR não se pronunciaram a respeito. O número de líderes investigados é maior no Senado que na Câmara. Problemas com a Justiça envolvem 6 dos 14 líderes no Senado, entre eles o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (AL), conduzido no início deste mês ao comando do PMDB. Na Câmara, 5 das 23 lideranças devem explicações à Justiça. O levantamento ainda aponta que a proporção de parlamentares processados entre os que ocupam cargos na Mesa Diretora e nas lideranças das Casas é maior que média do Congresso. Dos 594 deputados e senadores da legislatura atual, 145 têm ações na Justiça - uma média de 24,4% dos congressistas. Entre os 58 parlamentares que compõem as Mesas ou ocupam cargo de líderes, o índice é de 29,3%. MESAS DIRETORAS Dos congressistas empossados no início de fevereiro em cargos nas mesas diretoras, seis já passaram da condição de investigados a réus de ações penais no STF. Na Câmara, além do presidente Michel Temer (PMDB-SP) - que responde a inquérito por crime ambiental -, outros dois integrantes do comando da Casa são alvo de processos na Justiça. O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), segundo suplente de secretário, é acusado de desacato à autoridade. Já Leandro Sampaio (PPS-RJ), terceiro suplente de secretário, responde a uma ação penal por crime ambiental e outra por crime de responsabilidade. Já na Mesa Diretora do Senado, embora o número de parlamentares processados seja o mesmo da Câmara, o volume de acusações é maior: oito, ao todo. O recordista de ações em trâmite no STF é o tucano Marconi Perillo (PSDB-GO), primeiro-vice-presidente da Casa. Ele é investigado em quatro denúncias: crime contra a administração pública, corrupção, tráfico de influência e abuso de autoridade. Já Cícero Lucena (PSDB-PB), suplente de secretário, responde a inquérito por crime contra a administração pública e a ação penal por crime contra a Lei de Licitações. Procurados pela reportagem, os deputados e senadores suplentes não foram encontrados. O advogado do senador Marconi Perillo, Antônio Carlos de Almeida Castro, alegou que das quatro investigações que tramitam contra o tucano no STF, três são de cunho político. "São adversários do senador que acionam o Ministério Público. Uma delas foi até arquivada na noite de ontem pelo STF." Quanto à ação por crime contra a administração pública, o advogado afirma que o Ministério Público se precipitou no caso, não dando voz ao seu cliente. "Foi uma resolução sem fundamento", disse.

Edição EDIÇÃO 16959




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