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BRASIL
Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2012, 22h:56

LUTO

Último adeus ao arquiteto Oscar Niemeyer

18hs, ainda com sol a pino, quando o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer foi enterrado ao som das músicas Cidade Maravilhosa e Carinhoso, tocadas pela Banda de Ipanema

O arquiteto Oscar Niemeyer foi enterrado ontem no cemitério São João Batista, no Rio. O velório, realizado no Palácio da Cidade, sede oficial da Prefeitura do Rio, ficou aberto ao público das 8h até pouco antes das 16h. Também no palácio houve um culto ecumênico em homenagem ao arquiteto. Eram exatamente 18h de uma sexta-feira de verão, ainda com sol a pino, quando o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer foi enterrado ao som das músicas Cidade Maravilhosa e Carinhoso, tocadas pela Banda de Ipanema, que tinha o arquiteto como patrono desde 2010. Diferentemente do que informaram a família do arquiteto e funcionários do Cemitério São João Batista, o corpo de Oscar Niemeyer, comunista convicto, foi sepultado em um simples carneiro (sepultura perpétua) e não em um mausoléu. Comunistas jovens e velhos, enquanto o corpo descia a sepultura, chamavam em alto e bom som: “Companheiro Niemeyer”. Depois respondiam: “Presente”. Na quinta, o corpo do arquiteto foi levado a Brasília para um velório no Palácio do Planalto. Cerca de 4.000 pessoas passaram pelo funeral, que foi aberto ao público após cerimônia fechada para políticos e autoridades. O velório e o transporte do corpo e dos familiares foram oferecidos pela presidente Dilma Rousseff. Niemeyer foi recebido com palmas e gritos do público que aguardava o início do velório, na praça dos Três Poderes. O arquiteto carioca, que completaria 105 anos em 15 de dezembro, deu entrada no hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, em 2 de novembro, a princípio para tratar de uma desidratação, em sua terceira internação no ano. Mais tarde, porém, Niemeyer apresentou hemorragia digestiva e houve piora em sua função renal. Na terça-feira, uma infecção respiratória levou a uma piora no estado clínico de Niemeyer. Na manhã desta quarta, o arquiteto sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele estava ao lado da mulher, Vera Lúcia, 67, de sobrinhos e de netos no momento da morte. Cerca de dez pessoas o acompanhavam em seu quarto. Niemeyer esteve lúcido até manhã de quarta, quando houve piora em seu quadro de infecção respiratória e ele precisou ser sedado e entubado. Em outubro, ele havia ficado duas semanas no hospital também por causa de uma desidratação. Em maio, o arquiteto teve pneumonia e chegou a ficar internado na UTI. Recebeu alta depois de 16 dias. Em abril de 2011, foi submetido a cirurgias para a retirada da vesícula e de um tumor no intestino. Na ocasião, ele ficou internado por 12 dias por causa de uma infecção urinária. Nascido no bairro de Laranjeiras, no Rio, Oscar Niemeyer se formou em arquitetura e engenharia na Escola Nacional de Belas Artes em 1934. Em seguida, trabalhou no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, onde integrou a equipe do projeto do Ministério da Educação e Saúde. Por indicação de Juscelino Kubitschek (1902-1976), então prefeito de Belo Horizonte, Niemeyer projetou, no início dos anos 1940, o Conjunto da Pampulha, que se tornaria uma de suas obras brasileiras mais conhecidas. Em 1945, o arquiteto ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), entrando em contato com Luiz Carlos Prestes e outros políticos. Ao longo das décadas, travou amizades com diversos líderes socialistas ao redor do planeta, viajando constantemente à União Soviética - conjunto de países comunistas liderado pela Rússia - e a Cuba.

Edição EDIÇÃO 16964




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