A ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Eliana Calmon Iran César de Araújo Filho, secretário de Obras de Camaçari (BA). Após ser ouvido, Araújo teve sua prisão revogada pela ministra e foi solto. No final da tarde de ontem, foram ouvidos Everaldo José de Siqueira, subsecretário de Obras de Camaçari; Jorge Targa Juni, presidente da Cepisa (Companhia Energética do Piauí); e o empresário José Edson Vasconcelos Fontenele. No começo da noite foi ouvido o depoimento do advogado Alexandre de Maia Lago, sobrinho do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Para ontem ainda estavam programados os depoimentos de Flávio Henrique Abdelnur Candelot, funcionário da empresa Gautama; e Jorge Barreto, engenheiro da Gautama. Todos eles foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Navalha, que desarticulou uma suposta quadrilha que fraudava licitações para realização de obras públicas. Depois de ouvir os acusados, a ministra do STJ está revogando a prisão deles. Alguns obtiveram habeas corpus antes de prestar depoimento. NEGA O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB) voltou ontem a negar qualquer envolvimento com as supostas fraudes promovidas pela empresa Gautama em licitações públicas - descobertas na Operação Navalha, da Polícia Federal. O governador disse que se encontrou com o dono da Gautama, Zuleido Veras, há cerca de 40 dias - quando o empreiteiro teria sugerido a inclusão no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da obra de construção do anel viário de Maceió. "Eu falei que a obra era cara e a gente tinha outras prioridades. Já encontrei o Zuleido várias vezes. Ele tem obras em Alagoas há duas décadas. Encontrei com ele e com todos os empresários que têm obras em Alagoas", explicou. O governador disse que não autorizou seus auxiliares a liberar verbas para a empresa, como apontam as investigações da PF. Gravações telefônicas envolvendo os funcionários do governo Enéas de Alencastro (chefe da representação de Alagoas em Brasília) e Denisson Tenório (subsecretário da Infra-Estrutura), presos na Operação Navalha, indicam que Teotônio teria ordenado que uma obra de "alças" rodoviárias fosse entregue à Gautama, segundo interpretação da PF. Teotônio disse que ficou "triste" ao receber a notícia do suposto envolvimento de seus auxiliares nas fraudes. "O Enéas é um amigo de 30 anos. Mas essas coisas têm que ser esclarecidas. As investigações não foram concluídas", afirmou.