BRASIL
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011, 20h:02
A
A
DILMA
Situação econômica é 'muito dramática'
A presidente citou ainda o aumento do desemprego e a perspectiva de retrocesso nas políticas sociais diante da crise econômica internacional
Os países desenvolvidos vivem uma situação econômica "muito dramática" e o cenário internacional está num "momento muito difícil". A avaliação é da presidente Dilma Rousseff, que discursou mais uma vez sobre o assunto durante cerimônia com a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, diretora-executiva da ONU mulheres. "O motivo pelo qual eu apoiei e enfatizei no G20 a criação do piso de proteção social é que nós estamos vivendo uma situação econômica nos países desenvolvidos muito dramática e de certo ponto de vista prejudicial para suas populações", afirmou Dilma. No mês passado, na reunião de cúpula grupo em Cannes, a presidente defendeu uma antiga proposta da OIT (Organização Internacional do Trabalho) para a criação de uma espécie de programa de renda mínima global, nos moldes do Bolsa Família brasileiro. A presidente citou ainda o aumento do desemprego e a perspectiva de retrocesso nas políticas sociais diante da crise econômica internacional. "Processos de desemprego dramáticos levam a processo de perda de qualidade de vida e de condições de sobrevivência. Por isso eu acho que os governos precisam romper com a dissonância cada vez maior entre a voz dos mercados e a voz das ruas", disse a presidente. Michelle Bachelet destacou, durante discurso, que o piso de proteção social ajuda a reduzir o impacto de crises econômicas sobre a população de baixa renda. Não se trata somente de uma questão de respeito aos direitos humanos, é também uma necessidade econômica. Ela explicou que não se trata de uma proposta uniforme, mas de um conceito que deve se ajustar às especificidades de cada país. A diretora executiva da ONU Mulheres citou o Programa Bolsa Família, um dos analisados no relatório, como exemplo de política de transferência de renda. O programa aumenta a dinâmica das economias locais, já que se gasta o dinheiro nos mercados locais, o que gera maior demanda de bens e serviços. Isso se traduz na criação de mais empregos", disse. O relatório Piso de Proteção Social para uma Globalização Equitativa e Inclusiva foi apresentado na Cúpula do G20, em Cannes. Hoje, a presidenta Dilma Rousseff recebeu a versão em português do documento. VETA A presidente Dilma Rousseff vetou a aplicação de recursos do Fundo de Investimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) em obras das cidades-sedes da Copa-2014 e da Olimpíada do Rio-2016. O veto foi sugerido pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento. Segundo as pastas, os empreendimentos da Copa e das olimpíadas "já dispõem de linhas de crédito disponíveis para o seu desenvolvimento além dos investimentos definidos como essenciais à realização dos eventos, especificados na matriz de Responsabilidades celebrada pela União, pelos Estados e Municípios". Os ministérios alegaram ainda que "a proposta desvirtua a prioridade de aplicação do fundo de investimento" do FGTS. Administrado pela Caixa Econômica Federal, o FI-FGTS foi criado em 2007 para servir de fonte de recursos para obras de infraestrutura em áreas como portos, hidrovias, ferrovias, energia e saneamento.