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BRASIL
Terça-feira, 11 de Agosto de 2009, 20h:19

SENADO

Sarney: crise é para enfraquecer Lula

O senador negou ter feito ‘qualquer coisa errada’ ao longo de sua vida pública e reafirmou sua posição de permanecer na presidência do Senado

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse ontem que foi "atropelado" pela disputa política para a sucessão presidencial de 2010. Na avaliação de Sarney, as denúncias que tem surgido contra ele foram desencadeadas para enfraquecer o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. "Estamos numa Casa política. Pelo fato de minha luta política ter algum peso na sucessão desencadeou-se essa crise para enfraquecer o presidente da República", disse Sarney, em reunião no seu gabinete, com políticos amapaenses que foram ao Senado prestar solidariedade ao senador. Sarney disse que está com a consciência tranquila, e que não cometeu irregularidades ao interceder pela contratação do namorado de sua neta no Senado. "A coisa mais grave de que me acusam é de que eu tinha pedido para nomearem o namorado da minha neta", disse. "Nunca me acusaram de nada e agora desencadeia-se essa crise política. É essa consciência da tranquilidade que me dá forças. Se não fiz qualquer coisa de errada ao longo de minha vida pública, não esperaria 55 anos para fazer agora. Nunca me meti em qualquer coisa errada", garantiu. Aliado de Lula, Sarney argumenta que o objetivo da crise que atinge a instituição é enfraquecer Lula --uma vez que o PMDB se tornou o principal aliado do presidente no Congresso. O senador afirmou que não pretende se afastar da presidência da Casa, mesmo suspeito de envolvimento em uma série de acusações encaminhadas pela oposição ao Conselho de Ética. Cercado por políticos do Amapá, Sarney ficou à vontade para falar da crise. Publicamente, o senador vem evitando dar entrevistas para comentar as representações e denúncias contra ele encaminhadas ao conselho. O presidente do Senado ocupou a tribuna da Casa, na semana passada, para rebater todas as acusações e negar a disposição de renúncia. Aliado de Sarney, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou as 11 acusações contra o peemedebista que chegaram ao colegiado. A oposição recorreu contra o arquivamento de quatro denúncias e representações contra Sarney, mas promete até amanhã encaminhar novos recursos para o conselho. Os recursos vão ser colocados em votação no plenário do Conselho de Ética. Se forem aprovados pela maioria dos integrantes, as ações contra Sarney terão andamento na Casa.

Edição EDIÇÃO 16969




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