BRASIL
Terça-feira, 19 de Junho de 2007, 20h:28
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CASO RENAN
PMDB cobra renúncia, mas Renan resiste
A Polícia Federal encontra inconsistências em documentação fornecida por Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
Vanildo Mendes
Da Agência Estado - Brasília
A situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se complica ainda mais. Desta vez, até seu colega de partido, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu sua renúncia do cargo, juntando-se ao coro dos senadores da oposição. Em resposta, Renan afirmou que a idéia de largar a presidência do Senado "jamais" lhe passou pela cabeça. Simon manifestou sua opinião em aparte a um discurso do senador Christovam Buarque (PDT-DF) no plenário da Casa ontem, e mostra divisão no partido em relação ao caso do senador. "Aconselho o senador Renan a renunciar. Renan faria um gesto que marcaria sua posição se renunciasse à presidência do Senado", diz Simon. Renan responde a processo no Conselho de Ética para apurar suspeitas de que ele teria utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha nascida em 2004. Apesar de os documentos apresentarem irregularidades, ainda não há unidade entre os governistas quanto à suspeita de que ele teria fraudado a contabilidade de seus negócios agropecuários para justificar sua renda pessoal. O senador Jefferson Péres (PDT-AM), também em aparte a Buarque, agradeceu aos cumprimentos que tem recebido por sua atuação no Conselho de Ética do Senado. Péres tem se declarado contrário à proposta de arquivamento do processo contra Renan antes de concluída a apuração da denúncia. "Não é uma tarefa fácil a missão que estou desempenhando", disse, "pois trata-se de um amigo, mas acho que as pessoas públicas devem agir com a razão, e não com o coração. Além disso, a instituição está acima das pessoas." Também os partidos de oposição PSDB e DEM (ex-PFL) discutem a renúncia de Renan e tentam evitar que o Conselho de Ética encerre nesta quarta-feira o processo contra ele. "Seria melhor para todos se o presidente Renan Calheiros renunciasse ou pelo menos pedisse licença do cargo que ocupa. Ele está pensando mais nele próprio do que no Senado e comprometendo a imagem da instituição", disse o líder DEM, José Agripino Maia (RN). Questionado por jornalistas se se sentia pressionado a deixar o cargo, o presidente do Senado respondeu: "Pressão? Só de vocês." Após reunião com a cúpula do PMDB, foi discutida a estratégia para tentar aprovar ontem o arquivamento do caso. "Tenho absoluta certeza de que a verdade prevalecerá", afirmou Renan. ENFRAQUECIDO O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que a situação do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), se agrava e que, "sem dúvida" ele está enfraquecido. "Isso é um caudal que leva a este sentimento. É um sentimento que está aumentando", disse Virgílio que marcou uma reunião da bancada para hoje com o objetivo de avaliar a situação de Renan e definir a postura do PSDB no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa em relação ao processo por quebra de decoro parlamentar contra ele. O líder do PSDB no Senado informou que aguarda o laudo da Polícia Federal (PF) sobre a autenticidade dos documentos apresentados por Renan para provar que pagou com recursos próprios - e não por meio do suposto lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo - pensão à jornalista Mônica Veloso, com tem uma filha. FEDERAL Inconsistência de dados e incompatibilidade na cronologia entre as datas das operações de venda de gado com os cheques de pagamento e os recibos impediram a Polícia Federal (PF) de atestar como autênticos os documentos entregues pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para comprovar a origem do dinheiro da pensão paga à jornalista Mônica Veloso, com quem ele tem uma filha. Por conta dessas deficiências, a PF deixou de emitir um laudo conclusivo. Entregue hoje (19) ao presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC), o relatório não descarta a hipótese de que os documentos possam ter sido maquiados. "É preciso ter mais elementos para dizer se os documentos são ou não autênticos, ou se houve adulterações", disse um perito que teve acesso à análise.