A Presidência da República confirmou ontem a saída de Helena Chagas do comando da Secretaria de Comunicação Social, que possui status de ministério. Quem assume o cargo é o jornalista Thomas Traumann, hoje porta-voz do Palácio do Planalto. MUDANÇA A mudança não estava nos planos originais da reforma ministerial, mas a ministra ficou fragilizada com o episódio da parada secreta de Dilma Rousseff e sua comitiva a Lisboa, em trajeto entre Zurique, na Suíça e Havana, em Cuba. Ao esconder informações sobre a escala técnica - comuns em trajetos longos da presidente - e sobre um jantar em um restaurante estrelado da capital portuguesa, a avaliação foi a de que a ministra reverberou ainda mais o caso, que chegou a ser tema de pergunta à própria presidente Dilma e ao chanceler, Luiz Alberto Figueiredo. REALIZAÇÕES Foi um período de significativas realizações do seu governo, cuja divulgação se deu com todo o entusiasmo e engajamento desta Secretaria, afirmou Helena em um trecho da correspondência. O texto realiza ainda um breve balanço das ações realizadas pela Secretaria de Comunicação Social (com status de ministério). Acredito ter contribuído, com meu trabalho e com o esforço dos servidores da Secom, para a imagem positiva que vossa excelência e seu governo têm junto aos brasileiros, como justo reflexo do desempenho da gestão pública nesses três anos em que tive o privilégio de compor seu Ministério, acrescenta Helena em outro trecho. CRÍTICAS A ministra vinha sendo criticada por setores do Partido dos Trabalhadores (PT) por sua atuação. De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, já havia um clima de descontentamento com a política da Secom. Veículos alternativos de imprensa, que têm forte ligação com o partido, se queixavam da falta de verba do governo federal. Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a presidente "agradeceu a dedicação e os relevantes serviços prestados ao País pela jornalista Helena Chagas no comando da pasta, ao longo dos últimos três anos".