BRASIL
Terça-feira, 16 de Setembro de 2008, 20h:38
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TOQUE DE MIDAS
PF prende seu próprio diretor-executivo
Número 2 da Polícia Federal, "pai" das operações espetaculares e homem de confiança do diretor-geral, é preso sob suspeita de corrupção
FELIPE RECONDO e VANNILDO MENDES
Da Agência Estado Brasília
Sem algemas ou cenas televisadas, foi preso ontem o delegado Romero Lucena de Menezes, "pai" das operações espetaculares da Polícia Federal. Homem de confiança do diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, Menezes é suspeito de advocacia administrativa, corrupção passiva e tráfico de influência. Diretor-executivo da PF e responsável por coordenar todas as grandes ações no país, Menezes é investigado por supostamente vazar informações sigilosas da operação Toque de Midas, que investigava indícios de fraude em licitação em benefício da empresa MMX Logística, subsidiária da EBX, do empresário Eike Batista. A cúpula da PF achou "desnecessária" a prisão. Menezes recebeu a voz de prisão do próprio Corrêa, que não quis tecer juízo de valor sobre a decisão da justiça, amparada em parecer do Ministério Público do Amapá A suspeita é embasada em conversas telefônicas grampeadas com autorização judicial entre o gerente da MMX Amapá Ltda, Renato Camargo dos Santos, e o irmão de Menezes, José Gomes de Menezes Junior. Nos diálogos, os dois discutiriam uma forma de manipular um inquérito policial que apura a prática de crime ambiental pelas empresas Mineração Pedra Branca do Amapari e MMX. Na conversa, eles discutiriam inclusive a possibilidade de afastar o delegado responsável pelo caso com o auxílio de Menezes. Diante das provas, os dois também tiveram a prisão cautelar decretada a pedido do procurador da República Douglas Santos Araújo, responsável pelas investigações. SUSPEITAS Além das suspeitas de vazamento de informações, Menezes passou a ser investigado também por supostamente se valer do cargo para conseguir contratos para a empresa do irmão, Serv-San De acordo com investigadores, Menezes teria, inclusive, ameaçado destituir o atual Superintendente Regional da PF no AP, Anderson Rui Fontel, caso os interesses do irmão não fossem atendidos. Informações ainda não incluídas no inquérito, mas que estão sob investigação no Ministério Público Federal, apontam que Menezes seria dono de 45% da empresa Serv-San, em sociedade com o irmão. A informação não foi confirmada por Menezes. As suspeitas do MP recaem sobre dois processos em andamento na PF: um para credenciar o irmão de Menezes como instrutor de tiros na Polícia Federal do Amapá e outro para fraudar a inscrição de José Gomes no curso especial de segurança portuária, sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça.