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BRASIL
Quinta-feira, 12 de Abril de 2012, 21h:41

CASO CACHOEIRA

PF apurará vazamentos da Operação Monte Carlo

Governistas ampliam texto de CPI do caso. STJ nega liberdade a Carlinhos Cachoeira

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou que a Polícia Federal investigue a origem do vazamento das informações da Operação Monte Carlo, que desmontou esquema de jogo ilegal no país que seria comandado pelo empresário Carlos Cachoeira. Ontem, foram divulgados diálogos telefônicos interceptados pela PF que sugerem um suposto esquema de corrupção no governo de Agnelo Queiroz (PT-DF) com representantes da Delta, uma das maiores empreiteiras do país. De acordo com o ministro, o pedido já foi feito ao diretor-geral da PF e os responsáveis serão punidos "na forma da lei". "O Ministério da Justiça é radicalmente contrário a qualquer vazamento. Não importa se ele ocorre em favorecimento de pessoas que apoiam o governo, vinculados ao partido do governo ou da oposição. Isso é algo que nós efetivamente repudiamos", afirmou Cardozo. Segundo ele, durante o período de um ano e meio em que o processo esteve apenas na Polícia Federal, não houve qualquer tipo de problema desta natureza. "Os que acreditavam que os vazamentos visavam prejudicar membros da oposição, seguramente vão ter de repensar melhor as críticas que fazem a esse órgão da polícia, que tem atuado com correção e lisura", completou o ministro com referência à atual acusação que também afeta o governador do PT no Distrito Federal. O ministro também comentou a decisão da defesa do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) de entrar no STF (Supremo Tribunal Federal) para questionar a legalidade das escutas telefônicas - em que o parlamentar aparece conversando com o empresário Carlinhos Cachoeira. Para Cardozo, esta é uma reação "natural". "A defesa tem dois caminhos dizer que o réu ou acusado nada fez ou que as provas não valem. Parece que estão optando pelo segundo caminho", disse. O ministro ressaltou que a Polícia Federal seguiu rigorosamente as determinações e a lei e que agora caberá ao Poder Judiciário avaliar o que foi apurado. STJ NEGA O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Gilson Dipp negou liminarmente um pedido de habeas corpus feito pela defesa do empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. O ministro decidiu mantê-lo preso e levar a discussão sobre o caso para a 5ª Turma do tribunal, ainda sem data para que isso aconteça. Cachoeira foi preso preventivamente no dia 29 de fevereiro deste ano, durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Ele é apontado como o chefe de um esquema de exploração ilegal de jogos de azar em Goiás. Seus advogados alegam ao STJ que não existe fundamento jurídico para que a prisão preventiva continue valendo. A defesa de Cachoeira lembrou que a nova lei de medidas cautelares estabeleceu uma série de alternativas que devem ser cumpridas antes de mandar alguém para a prisão. O ministro, no entanto, negou o pedido. A turma só deverá analisar o caso quando Dipp terminar seu voto sobre o tema. CPI Lideranças do governo no Congresso apresentaram na manhã de ontem versão mais ampliada do texto que vai permitir a instalação da CPI do caso Cachoeira. Pelo documento, as investigações devem se debruçar sobre as práticas criminosas do empresário Carlos Cachoeira, desvendadas pelas operações "Vegas e Monte Carlo", da Polícia Federal. O texto também fala da relação do empresário com agentes públicos e privados.

Edição EDIÇÃO 16962




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