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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 22 de Novembro de 2008, 12h:10

CASO DANTAS

PF aponta 'engenharia' para lavagem de dinheiro

Para despistar a fiscalização, o banco teria feito uso de offshores

ROBERTO ALMEIDA e FAUSTO MACEDO
Da Agência Estado - São Paulo
Documentos da Operação Satiagraha permitiram ao delegado Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Combate a Crimes Financeiros da Polícia Federal, incluir no relatório que levou à Justiça "uma engenharia montada para lavagem de recursos" oriundos de suposta gestão fraudulenta praticada pelo Opportunity, de Daniel Dantas. São duas operações sob investigação: uma com a Santos Brasil e outra com a Basen Corporation, nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal. Para a primeira operação, a PF elaborou um diagrama, que ilustra um "esquema de ocultação e integração de dinheiro que teria como origem um fundo do Opportunity no exterior e como destino uma empresa do Opportunity no Brasil, a Santos Brasil". As movimentações do grupo de Dantas e suas triangulações são detalhadas passo a passo pelos federais. Para despistar a fiscalização brasileira, o Opportunity teria feito uso de offshores, da compra e venda de debêntures (títulos com patrimônio da empresa como garantia). A PF acredita que o esquema visava a "aplicação de recursos em empresas do próprio grupo". "Um fundo do Opportunity no exterior desejando financiar uma empresa de seu grupo no Brasil, e ocultar-se perante os órgãos de fiscalização brasileiros, compra debêntures de sua empresa no Brasil com pelo menos dois intermediários", sintetiza o relatório. A segunda operação, com a Basen Corporation, foi descoberta pela PF a partir de uma carta enviada no dia 9 de junho de 2005 por William Yu, sócio-gerente da Aquarius Consultoria Financeira S/C Ltda., a Arthur Carvalho, sócio do Opportunity, cobrando o pagamento de US$ 55 mil pela montagem de um esquema de financiamento para o banco. Segundo a PF, a proposta de Yu pressupõe lavagem de dinheiro, e ocorreria em cinco etapas, entre transferências de fundos e compra de títulos de crédito. O ponto de partida é uma offshore do grupo de Dantas emprestando dinheiro para a Basen Corporation. O ponto de chegada seria o próprio Opportunity, via operação com fundos do banco suíço UBS nos Estados Unidos. No documento apreendido pelos federais referente à suposta operação há uma preocupação específica de que o Banco Central não identifique a verdadeira origem do dinheiro. O documento frisa que um fundo do UBS nos EUA "desperta menos suspeitas do que um em Cayman". FAROL DA COLINA A PF afirma ainda que há "fortes indícios" de que recursos de Dantas seriam lavados via "compra de terrenos para exploração de minério e possivelmente na exploração imobiliária, envolvendo o turismo". Saadi aguarda documentos solicitados ao BC e a instituições financeiras para "encorpar" estas acusações. "É necessária ainda a finalização da análise do material de informática apreendido para que possamos fazer o desenho do processo de ocultação dos recursos pelos investigados", avalia a PF. No entanto, de acordo com os federais, o BC já processa o Opportunity por não empregar ferramentas de detecção e prevenção à lavagem de dinheiro (sistema PDLD).

Edição EDIÇÃO 16959




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