O corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), conclui hoje seu parecer sugerindo à Mesa da Casa que peça a abertura de processo de cassação do mandato do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), no Conselho de Ética. Cabe à Mesa enviar a representação ao conselho. Inocêncio vai concluir seu parecer mesmo sem receber os documentos do Ministério Público. Os dados que forem chegando à corregedoria da Câmara sobre o suposto envolvimento do deputado no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) serão encaminhados ao conselho. PROCESSO Para pedir o processo de cassação, o corregedor deve apontar o abuso de prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional previsto no Código de Ética da Câmara. A base para esse argumento está na conversa de Paulinho com o advogado e ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto - também investigado na Operação Santa Tereza -, duas horas depois de o ex-conselheiro ter deixado a carceragem da PF. Na conversa telefônica gravada pela PF, Paulinho afirma, segundo relatório da polícia, que vai "mexer os pauzinhos" no Congresso para convocar o ministro da Justiça, Tarso Genro, para explicar a prisão de Tosto. Ou seja, Paulinho poderia ter usado o mandato com a intenção de intimidar o ministro, superior hierárquico da PF. Na Câmara, o processo é disciplinar e não criminal.