BRASIL
Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2011, 20h:17
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ARTICULAÇÃO
PDT decide continuar na base do governo no governo de Dilma
O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, reafirmou que cabe à presidente decidir se a pasta do Trabalho permanecerá com o PDT após a saída de Lupi
O PDT vai continuar na base do governo Dilma Rousseff apesar da saída de Carlos Lupi do comando do Ministério do Trabalho, após denúncias de supostas irregularidades na pasta, informou ontem o presidente interino da sigla, deputado André Figueiredo (CE) Figueiredo afirmou que há uma posição "consensual" dentro do PDT de que o partido continuará, "independentemente de qualquer coisa, na base do governo", mesmo que a sigla perca o controle do Ministério do Trabalho. "O PDT fica na base", disse o presidente interino antes de reunião da Executiva do partido. O deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, reafirmou que cabe à presidente Dilma Rousseff decidir se a pasta do Trabalho permanecerá com o PDT após a saída de Lupi, que pediu demissão do cargo na noite de domingo. "Ela [Dilma] que tem que medir as consequências", disse o deputado. Lupi foi o sétimo ministro a deixar o governo Dilma, o sexto diante de denúncias de irregularidades. Ele era um dos integrantes do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foram mantidos por Dilma em seus cargos. Sua situação já era considerada delicada desde a quarta-feira, quando a Comissão de Ética Pública, órgão consultivo ligado à Presidência da República, recomendou a exoneração do ministro a Dilma. DENÚNCIAS Lupi era alvo de denúncias de acumular cargos públicos na esfera federal e municipal e de ter aceitado "carona" em avião de dirigente de uma organização não governamental que teve negócios com o Ministério do Trabalho. Também pesavam denúncias de suposto esquema de propinas envolvendo ONGs conveniadas com a pasta. O ex-ministro, que é presidente licenciado do PDT, deve reassumir a presidência do partido em janeiro, segundo Figueiredo. "Ele [Lupi] quer descansar... quando ele voltar, assume naturalmente", explicou. O papel de articulação política, principalmente num momento em que devem ter início as negociações sobre a sucessão na pasta do Trabalho, será exercido por uma comissão de pedetistas, embora o discurso seja o de que é "cedo" para discutir indicação de nomes e de que a decisão final é de Dilma. Participam do grupo de interlocução os líderes da bancada na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), e no Senado, Acir Gurgacz (RO), além de Figueiredo, o vice-presidente da legenda, Brizola Neto (RJ), e do secretário-geral, Manoel Dias. "Não dá para o ex-ministro Carlos Lupi tirar o paletó de ministro, ir em casa, tomar um banho, botar uma camisa social e voltar ao Palácio como interlocutor do partido no governo. Acho que essa reunião tem justamente essa função, da gente redefinir essa interlocução", disse Neto. O secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Paulo Roberto Santos Pinto, responderá pela pasta interinamente. É possível que Dilma só escolha um substituto definitivo na reforma ministerial previsto para o começo do próximo ano.