Para secretário, estado do Rio tem a "cultura de matar"
PEDRO DANTAS
Da Agência Estado Rio
O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse ontem que o estado do Rio tem a "cultura de matar". A declaração aconteceu na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa do Rio "Neste estado se criou há muito tempo a cultura de matar. `Meteu-se nos meus negócios, mato. Interrompeu a minha trajetória criminosa, mato. Se identifico um policial ou bombeiro (em um assalto), mato'. Perdi um dos meus seguranças com 82 tiros", declarou o secretário, referindo-se ao sargento Natan Evaristo da Silva, morto após reagir a um assalto na Linha Amarela, uma das principais vias expressas da cidade, em fevereiro do ano passado. Beltrame afirmou que está na hora da sociedade se perguntar que tipo de cidadão está produzindo. "É um processo histórico. Em alguns lugares as pessoas convivem com armas, desconhecem o Estado ou a Constituição. Temos de atuar conscientes de que é assim", disse o secretário após a audiência Ele negou mais de uma vez aos deputados que a ocupação de favelas com as Unidades de Polícia Pacificadora substituirá a chamada "política de enfrentamento" adotada desde o início do governo Sérgio Cabral Filho, marcado por megaoperações policiais em favelas. "Uma ação não tem nada a ver com outra. O que mudou é que a polícia não entra mais em áreas conflagradas de forma açodada. Usamos o serviço de inteligência para atuar no momento menos traumático para a comunidade", afirmou Beltrame.