BRASIL
Terça-feira, 26 de Abril de 2011, 21h:22
A
A
INFLAÇÃO MUNDIAL
Para Mantega, País não está 'mal na foto'
No Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Dilma disse que o Governo está atento a pressões inflacionárias, mas medidas ainda não fizeram efeito
CHICO DE GOIS e MARTHA BECK
Da Agência O Globo - Brasília
Ao discursar na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) do governo Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil não está mal na foto da inflação mundial. A presidente Dilma Rousseff elogiou publicamente as medidas adotadas por sua equipe econômica no combate à inflação e na política de desenvolvimento. Mantega apresentou aos conselheiros dados que mostram que diversos países emergentes também lutam contra a alta dos preços. Enquanto o Brasil tem hoje uma inflação estimada em 6,3% para 2011, na Rússia, essa projeção é de 9,4% e na Índia, de 8,8%. Existe um surto inflacionário mundial. Mas o crescimento da inflação no Brasil é menor que em outros países, disse ele. Mesmo assim, Mantega assegurou que o governo continuará adotando medidas para evitar que o problema se agrave ainda mais: Não devemos poupar armas, devemos usar todas as possíveis, sejam armas monetárias, sejam armas fiscais. Segundo ele, o governo estabeleceu uma nova relação entre as políticas fiscal e monetária de forma que as duas sejam complementares e não prejudiquem o crescimento econômico (que deve fechar o ano em 4,5% pelas contas da Fazenda). Por isso, além de elevar juros, a equipe econômica também tem feito esforços para cortar gastos públicos. O ministro admitiu que a demanda ainda está muito aquecida no mercado doméstico e que é preciso deixá-la num patamar adequado. O governo já elevou neste ano o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos concedidos a pessoas físicas na tentativa de conter o crédito e o consumo. Mas o ministro fez questão de destacar: É muito importante moderar o crescimento da demanda. Mas é preciso moderar sem matar a galinha dos ovos de ouro que é o mercado interno brasileiro. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que também falou aos conselheiros, defendeu a mesma linha que Mantega, ressaltando a importância de o governo combinar política monetária com medidas macroprudenciais: Tudo isso é para dar condições para o crescimento econômico e o desenvolvimento social. DILMA A presidente Dilma Rousseff elogiou publicamente as medidas adotadas por sua equipe econômica no combate à inflação e na política de desenvolvimento. A presidente voltou a dizer que seu governo está preocupado com a inflação e que adotará todas as medidas possíveis para debelá-la. Ela também observou que o resultado das ações imediatas tomadas pela equipe econômica ainda não se fez sentir por completo e aconselhou serenidade. Dilma declarou que tem compromisso com o controle da inflação e com o desenvolvimento econômico e fez questão de frisar que cumpre com seus compromissos. De acordo com a presidente, o governo entende o calor e a paixão da discussão sobre os rumos da política econômica, mas, conforme destacou, ela não irá aquecer ainda mais este debate. A presidente fez questão de afagar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, qualificando suas apresentações sobre os rumos da economia como "excelentes". Ao analisar a atuação dos demais países para retomar o crescimento, Dilma observou que os países emergentes estão sendo pressionados por políticas intensas de liquidez internacional, que geram desequilíbrios não só cambiais, mas também inflacionários. Além disso, contribuiu para as dificuldades internas o fato de que a inflação no Brasil também é alimentada por causa de "causas internas adversas" como a produção de bens importantes como alimentos in natura e etanol. Meu governo está diuturnamente e até noturnamente atento a todas as pressões inflacionárias venham de onde vierem, declarou.