Para Lula, governar é mais difícil que fazer campanha
LUCIANA NUNES LEAL
Da Agência Estado Brasília
A gravidade do vazamento de informações sigilosas sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso não tirou o bom humor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sorridente recebeu ontem o presidente da Guatemala, Álvaro Colom. Depois de um discurso protocolar durante almoço no Itamaraty, Lula falou de improviso e disse ao colega guatemalteco que governar é mais difícil que fazer campanha. "Eu estive na sua posse, em janeiro. Você tem quatro anos (de governo) e deve ter descoberto que governar é muito mais difícil que discursar no palanque durante a campanha", disse Lula a Colom. Pouco antes, o presidente voltou a um tema recorrente de seus discursos, a oposição entre ricos e pobres. Lula disse que durante muitos anos a política externa brasileira foi voltada apenas para países ricos, mas que isso mudou em seu governo, que optou pela "prioridade na relação com a América do Sul, a América Latina e a África". "Dificilmente as pessoas visitam parente mais pobre. Todo mundo gosta de visitar parentes ricos", disse o presidente. Lula ressaltou, porém, que também quer "relações fortes com países ricos". No Palácio do Planalto, antes do almoço, durante assinatura de protocolos entre Brasil e Guatemala, Lula disse estar contente com a vitória do Corinthians e procurou demonstrar descontração. Mas não quis dar entrevistas. Chamado pelos repórteres, Lula respondeu com uma espécie de slogan: "Presidente quem escolhe é a gente." E foi embora sem atender a imprensa.