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BRASIL
Sábado, 05 de Maio de 2007, 13h:08

BRASIL

País perde R$ 20 bi com morte violenta, diz estudo

JULIANO MACHADO e RODRIGO BRANCATELLI
Da Agência Estado – São Paulo
O Brasil deixa de produzir cerca de R$ 20 bilhões por ano - 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 - por conta das pessoas que morrem de causas violentas e param de contribuir com a economia. A projeção consta de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal. Os pesquisadores calcularam quanto os 122 mil brasileiros mortos por “causas externas” em 2001 - com destaque para homicídios, acidentes de trânsito e suicídios - movimentariam a economia com seus rendimentos médios até o fim da vida. Chegaram ao montante de R$ 20,1 bilhões, levando em consideração um período produtivo entre 15 e 65 anos. DADOS As bases de dados foram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. Embora os números tenham uma referência de seis anos atrás, o pesquisador Alexandre Carvalho, um dos autores do estudo, afirmou que o valor da perda de produção não teve grande alteração durante esse intervalo. “A pesquisa usou valores corrigidos em 2006 e o perfil socioeconômico das vítimas não mudou muito.” Se for levado em conta todos os fatores de custo da violência no Brasil - como segurança pública, sistema prisional, sistema de saúde, tratamento da violência, segurança privada, perda de bens materiais e seguros -, o número é ainda mais alarmante: por ano, gasta-se 5,09% do PIB. Isso representou em 2004 R$ 92,2 bilhões. Os homicídios têm o maior peso sobre a perda de produção entre os crimes violentos: R$ 9,1 bilhões. Esse fato, segundo o Ipea, ocorre porque os assassinatos incidem principalmente sobre a população jovem, que teria mais anos de vida e, por conseqüência, de contribuição econômica. Em 2001, 61,1% dos homicídios atingiram pessoas de até 30 anos. Outra explicação está na localização desse tipo de crime, concentrada nas áreas urbanas de São Paulo e Rio - justamente onde os rendimentos médios são maiores. Os acidentes de trânsito aparecem em seguida. Suas vítimas produziriam R$ 5,4 bilhões ao longo da vida - 31,4 mil pessoas morreram nas estradas do País em 2001.

Edição EDIÇÃO 16964




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