NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

BRASIL
Segunda-feira, 04 de Agosto de 2014, 19h:50

PETROBRAS/GABARITO

Oposição pedirá ao MP que apure vazamento

PSDB e DEM vão pedir que o MPF apure o caso, revelado pela revista "Veja", assim como a suposta participação de parlamentares no repasse de questões

GABRIELA GUERREIRO
Da Folhapress – Brasília
Aliados do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, vão ingressar com uma série de medidas administrativas e judiciais para investigar denúncia de que representantes da Petrobras receberam com antecedência o "gabarito" com perguntas que seriam feitas na CPI do Senado que investiga a estatal. A oposição também quer o afastamento do senador José Pimentel (PT-CE) da relatoria da CPI da Petrobras e que o Conselho de Ética do Senado apure o caso. PSDB e DEM vão pedir que o Ministério Público Federal apure o caso, revelado pela revista "Veja", assim como a suposta participação de José Pimentel e do senador Delcídio Amaral (PT-MS) no repasse das questões aos integrantes da Petrobras. A oposição também vai denunciar hoje os dois senadores ao Conselho de Ética do Senado. Em outra frente, DEM e PSDB vão solicitar à Procuradoria da República do Distrito Federal a abertura de inquérito para investigar a presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli e os servidores Paulo Argenta, da SRI (Secretaria de Relações Institucionais da Presidência), Marcos Rogério de Sousa e Carlos Hetzel, que trabalham no bloco de apoio ao governo no Senado. Os servidores são apontados pela revista "Veja" como responsáveis por elaborar as perguntas que foram repassadas a Graça Foster, Gabrielli e Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras. A oposição também vai pedir à SRI, à Petrobras e ao Senado que investiguem a conduta dos servidores, com a abertura de processos administrativos, com recomendação para que sejam exonerados. Nas representações, PSDB e DEM vão acusar os servidores e os senadores de cometerem crimes de falso testemunho, violação do sigilo funcional e advocacia administrativa – a defesa de interesses particulares por funcionários públicos contra o próprio interesse do órgão ao qual estão veiculados. Candidato a vice-presidente na chapa de Aécio, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse que as denúncias são "graves" os órgãos públicos precisam realizar investigações profundas do caso. Para Nunes, a presidente Dilma Rousseff é a "grande responsável" pelas irregularidade encontradas na estatal. "A presidente Dilma está literalmente no mundo da lua ao afirmar que esse é um caso do Congresso. O mais correto seria suspender as atividades da CPI até que tudo esteja apurado. É óbvio que ela [Dilma] sabia do assunto, é impossível ter desconhecimento", afirmou. Presidente do DEM, o senador José Agripino Maia (RN) pediu o afastamento de Pimentel do cargo de relator da CPI. "Que o senador se ausente da comissão até que os fatos fiquem claros e ele possa ter autoridade para apresentar o seu relatório. É a digital de que houve um 'combinemos' para livrar a responsabilidade da presidente Dilma", afirmou. Coordenador jurídico da campanha de Aécio, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da Petrobras em Brasília, deveria ser exonerado do cargo. "O Barrocas contraria os interesses da Petrobras, isso é caso de demissão. Custo a crer que senadores possam se envolver em farsa desse tamanho para desestabilizar a CPI", afirmou Sampaio. De acordo com a Veja, Graça Foster, Gabrielli e Cerveró tiveram acesso antecipado às perguntas e foram treinados pela equipe da estatal sobre como respondê-las. A revista baseia a informação em um vídeo que flagra uma conversa entre José Eduardo Barrocas e Bruno Ferreira, advogado da estatal. No diálogo, registrado com uma câmera escondida numa caneta por um terceiro personagem, não identificado, os dois dão detalhes do acerto. Segundo a conversa, Pimentel repassou o "gabarito" a Graça Foster, usando como intermediário José Eduardo Dutra, diretor corporativo e de serviços da estatal e ex-presidente da empresa. Delcídio, segundo a Veja, teria feito a interlocução entre a Petrobras e Cerveró. OUTRO LADO O advogado Edson Ribeiro, que representa Nestor Cerveró, negou que o ex-diretor da Petrobras tenha recebido antecipadamente as perguntas que seriam feitas durante seu depoimento em uma CPI. Ele confirmou que Cerveró participou de um treinamento promovido pela estatal dias antes de ir à CPI que investiga irregularidades na empresa. O advogado distribuiu nota, segundo a qual "Nestor Cerveró jamais compactuou com farsas advindas de quem quer que seja. Nestor Cerveró foi convidado a participar de um 'media training' (treinamento com perguntas e respostas sobre temas críticos, realizado por grandes empresas com seus executivos) comportamental, oferecido pela Petrobras". Ribeiro disse não saber em que hotel ocorreu o treinamento nem qual o dia exato, apenas que foi "entre sete e dez dias antes do depoimento à CPI". Cerveró esteve na comissão em 22 de maio. "Reafirmo que nem a defesa nem Nestor Cerveró compactuaram ou compactuam com nada além da verdade", conclui, na nota. De acordo com o advogado, Cerveró não vai comentar o caso.

Edição EDIÇÃO 16964




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL