BRASIL
Sexta-feira, 03 de Junho de 2011, 21h:09
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OAB quer proteção do Estado a líderes rurais
PEDRO PEDUZZI
Da Agência Brasil Brasília
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, disse ontem que a entidade cobrará do Estado proteção às pessoas ameaçadas de morte em decorrência dos conflitos que resultaram no assassinato de diversas lideranças rurais na Região Norte. De acordo com Cavalcante, o Estado precisa garantir a vida de todas as pessoas ameaçadas de morte que constam de lista feita pela Pastoral da Terra. É necessária a compreensão de que a morte virá para essas pessoas. Por isso, o Estado precisa reagir e dar garantia de vida a elas disse ele à Agência Brasil. Anteontem, mais um trabalhador rural sofreu emboscada e foi morto em Eldorado dos Carajás, no Pará mesmo local onde, em 1996, houve um massacre de trabalhadores rurais. Marcos Gomes da Silva é o quarto agricultor morto em menos de dez dias na região. No dia 24 de maio, o casal de ativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foi morto a tiros em Nova Ipixuna, também no Pará, e três dias depois foi assassinado o líder rural Adelino Ramos, em Vista Alegre do Abunã, em Rondônia. Adelino integrava o Movimento Camponês Corumbiara e tinha denunciado a retirada ilegal de madeira na região. Ophir Cavalcante acrescentou que o diretor do Conselho Federal da Ordem, Miguel Cançado, viajará à região a convite do senado, para visitar os locais de conflitos. Essas mortes sempre existiram, e o conflito continuará enquanto não houver uma política de ocupação, reforma agrária,e ações nas áreas de educação e de saúde. E para isso é fundamental um trabalho em conjunto envolvendo os governos federal e estadual. Ao tomar conhecimento do assassinato de Marcos Gomes da Silva, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem (2) que o governo vai tomar medidas mais duras para enfrentar a violência no campo na Amazônia.