BRASIL
Terça-feira, 22 de Junho de 2010, 20h:51
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CHUVAS
Número de mortos já passa de 40 no NE
Cerca de 115 mil pessoas tiveram que deixar suas casas em razão das enchentes. De acordo com a Defesa Civil dos Estados, o total de casas destruídas ultrapassa 17 mil
ANGELA LACERDA EDMAR MELO
Da Agência Estado - União dos Palmares
"Foi uma tragédia, com as casas caindo, o povo gritando, o medo tomando conta. Lembrei de um tsunami e do terremoto no Haiti", diz o vendedor Ladjane Lopes, de 28 anos, morador de Santana do Mundaú, uma das cidades alagoanas mais atingidas pelas chuvas do fim de semana. Ontem, o número de mortos em Pernambuco e Alagoas subiu para 41 e o de desabrigados e desalojados passou de 115 mil. DEFESA CIVIL Após refazer as contas, a Defesa Civil fala ainda em 607 pessoas desaparecidas. Em Brasília, o governo federal anunciou ontem que enviará R$ 100 milhões para auxiliar os municípios atingidos. Foi possível liberar rapidamente R$ 50 milhões de uma rubrica de R$ 1,2 bilhão, criada por Medida Provisória neste mês, destinada ao atendimento de populações vitimadas por calamidades climáticas. EMERGÊNCIA O governo federal ainda dispõe de outros R$ 50 milhões para gastos de emergência. Mas a segunda e mais importante parte da ajuda federal, que se destinará sobretudo à recuperação da infraestrutura destruída vai demorar pelo menos um mês, porque a liberação depende do inventário dos estragos e da análise da complexa documentação exigida pelo governo federal. Isso inclui levantamento detalhado de edificações destruídas, como pontes, redes de energia, estradas, prédios públicos e habitações. Entre a análise dos documentos e a liberação, a burocracia consome 30 dias ou mais, segundo alertou a secretária nacional de Defesa Civil, Ivone Valente. Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atingidos por enchentes na virada de ano, estão com parcelas da ajuda atrasadas desde abril. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, criticou os prazos "excessivamente longos" e anunciou que o governo vai enviar projeto de lei ao Congresso, em 45 dias, para simplificar os trâmites. "Há uma morosidade muito grande, questões burocráticas que precisam ser revistas", justificou. TERRA ARRASADA Enquanto isso, em Branquinha, Santana do Mundaú, União dos Palmares e São José da Laje, alguns dos municípios cortados por rios, cujas águas subiram na semana passada a níveis só comparáveis a uma histórica enchente ocorrida em 1969, a situação é de "terra arrasada". Abalada, a prefeita de Branquinha, Ana Renata da Purificação Moraes (PMDB), só consegue listar as perdas: as escolas, os postos de saúde, as bibliotecas, os computadores, os medicamentos. "Nada restou da parte funcional", lamentou. "Não tenho uma folha de papel para fazer uma ficha de um doente." Em uma hora o Rio Mundaú subiu e depois desceu com tudo em Santana do Mundaú. Apenas duas escadas de madeira permitem o acesso a um bairro que ficou isolado com a queda da cabeceira da ponte urbana. O local foi tomado por uma imensa cratera. Dada a intensidade da tragédia, tendas do Exército serão montadas, como medida emergencial em algumas cidades. Em algumas delas não há sequer escolas ou ginásios para atender os desabrigados. A Força Nacional de Segurança Pública já está com 400 homens aquartelados à disposição dos Estados para ajudar no que for necessário. / DOAÇÕES O Banco do Nordeste do Brasil lançou ontem uma campanha de arrecadação de doações para as vítimas das chuvas em Alagoas e Pernambuco. As doações em dinheiro devem ser depositadas nas seguintes contas: em Alagoas, agência 031-0; conta corrente 19 542-2. Em Pernambuco, a agência é 044-2; conta corrente 21.462-7 O dinheiro será utilizado para aquisição de itens emergenciais pela Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Cruz Vermelha dos Estados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, cancelaram suas agendas e sobrevoaram os Estados de Alagoas e Pernambuco, que também foi devastado pelas enchentes. Jobim acompanhará as medidas emergenciais tomadas pelo governo federal e fazer um levantamento da logística de ajuda às famílias atingidas. O ministro informou que a ajuda aos desabrigados será feita em duas frentes. A primeira, voltada à habitação, com barracas, comida, água potável e energia. A segunda, na área de saúde, com o envio de medicamentos e hospitais. e enviados especiais, colaborou Vannildo Mendes