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BRASIL
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007, 19h:50

DENÚNCIAS

Novo presidente de conselho abre nova crise no Senado

ROSA COSTA, MARCELO MORAES e ANA SCINOCCA
Da Agência Estado – Brasília
Senadores cobraram ontem que o novo presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), dê explicações sobre as denúncias de práticas de fraudes em licitações para que possam avaliar a permanência dele no comando do órgão. Quintanilha é alvo de processos de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Procuradoria-Geral da República. O primeiro vice-presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC), disse que as acusações contra ele podem "suscitar muita pressão política, tanto por parte da sociedade como do próprio Congresso para que haja renúncia ao cargo". O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu, porém, Quintanilha. "Não existe nenhum impedimento legal contra o senador Quintanilha que o impeça de presidir o Conselho de Ética", afirmou. "Ele foi eleito pelo Conselho de Ética com toda a legitimidade para analisar o caso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)", acrescentou. O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado foi eleito para comandar o colegiado depois da renúncia do senador Sibá Machado (PT-AC), na noite de terça-feira (26). Apoiado pelo grupo político de Renan dentro do PMDB e pela bancada do PT, Quintanilha derrotou por 9 votos contra 6 a candidatura do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que representava os partidos de oposição. CRISE As novas denúncias, segundo Tião Viana, provocam "mais uma crise no Conselho de Ética". De acordo com as acusações, o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar teria praticado fraudes em quatro concorrências públicas e o Ministério Público (MP), com base em recibo e perícia, acusa-o, segundo informações veiculadas pela imprensa, de receber propina em troca de emendas ao Orçamento destinadas a obras, em 1998. As investigações da Procuradoria concentram-se em três emendas de Quintanilha, do mesmo ano, que somam R$ 280 mil. A acusação gerou dois inquéritos sigilosos no STF. Integrantes de outras legendas, como PSDB e PSOL, também cobraram hoje uma posição do presidente do Conselho de Ética e Decoro. Para o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), a permanência de Quintanilha no comando do Conselho de Ética "é temerária".Apesar da pressão, o presidente do Conselho de Ética descartou renunciar ao cargo, conforme a assessoria dele. Quintanilha estava em Tocantins em atividades com o governador Marcelo Miranda (PMDB).

Edição EDIÇÃO 16964




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