BRASIL
Quarta-feira, 25 de Julho de 2007, 21h:02
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Nelson Jobim não deve encontrar resistência
TÂNIA MONTEIRO ARIOSTO TEIXEIra e LUCIANA NUNES LEAL
Da Agência Estado - Brasília
O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, não encontrará resistência na sua chegada à pasta. O discurso de posse de Jobim agradou militares porque tocou em três pontos que as Forças Armadas consideram fundamentais: Jobim disse que quer ouvir as diferentes áreas, avisou que não vai faltar dinheiro e que haverá unidade de comando. Também agradaram as declarações do ministro que disse que as mudanças a serem feitas nos órgãos ligados à pasta não serão partidarizadas e, em quaisquer circunstâncias, os nomes para ocupar os cargos, inclusive citando o caso da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), teriam de ser eminentemente técnicos. A expectativa da área militar agora, é em relação ao staff que o ministro vai levar para a Defesa. PERFIL A insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no nome de Nelson Jobim para assumir o comando do ministério da Defesa deveu-se, antes de qualquer consideração de ordem política, ao perfil administrativo e intelectual do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Além da experiência política de Jobim, que foi deputado federal e ministro da Justiça, Lula sabia que recrutaria um quadro testado em funções de comando em setores complexos, e que seu perfil não é o de um advogado comum. Jobim é doutor em sua área, formado na escola doutrinária alemã de Hans Kelsen e um estudioso de matemática e do pensamento lógico. O perfil "germânico" torna-o talhado para o comando das forças armadas, cujos chefes apreciam a disciplina e a capacidade decisória de seus líderes. Nesse sentido, a expectativa do governo é de que Jobim represente um forte contraste com seus antecessores no cargo. O ex-ministro Waldir Pires pertence a uma escola política habituada a um processo decisório demorado, que se fundamenta na cautela como método. O que o governo espera do disciplinado Nelson Jobim são decisões calculadas e precisas, mas que sejam tomadas rapidamente. O novo ministro da Defesa disse, por isso, ter aceitado o convite do presidente "como uma missão" e porque se viu posto diante de "uma questão de Estado". A missão imediata de Jobim é naturalmente unificar o processo decisório no setor aéreo, hoje fragmentado entre o comando da Aeronáutica, a estatal Infraero, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e o próprio ministério da Defesa.