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BRASIL
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010, 18h:47

CASA CIVIL

Ministra é forçada a pedir demissão

É a segunda demissão na Casa Civil - Vinícius de Castro, assessor do ministério, foi exonerado no dia 13, após ser citado como participante de esquema de lobby

JOÃO DOMINGOS, TÂNIA MONTEIRO, ANA PAULA SCINOCCA, JULIA DUAILIBI e ALEXANDRE RODRIGUES
Da Agência Estado – Brasília
Depois de negar as denúncias, atacar em nota oficial a oposição, Erenice Guerra foi forçada ontem a pedir demissão, cinco dias depois de revelado esquema de lobby que funcionava na Casa Civil. Erenice fora nomeada para a pasta no final de março, em substituição à amiga Dilma Rousseff, hoje candidata a presidente da República pelo PT. É a segunda demissão na Casa Civil - Vinícius de Castro, assessor do ministério, foi exonerado no dia 13, após ser citado como participante de esquema de lobby dentro da pasta. BLINDAGEM A queda de Erenice tenta preservar a campanha de Dilma Rousseff do escândalo do tráfico de influência e suspeita de cobrança de propinas de empresários, capitaneado pelo filho da ministra, Israel Guerra, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a obrigou a pedir demissão, depois de uma tensa reunião por volta do meio-dia. Lula e os coordenadores da campanha da petista avaliaram que quanto mais Erenice permanecesse no governo, mesmo na condição de moribunda, mais havia riscos de que a campanha de Dilma sofresse solavancos. COMPLICAÇÃO A situação se complicou de vez com a notícia publicada ontem pela Folha de S. Paulo de que uma empresa de Campinas - EDBR do Brasil Ltda -, para conseguir empréstimo de R$ 9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), teria de pagar R$ 240 mil mais R$ 450 milhões (5% sobre o valor do empréstimo) à Capital Assessoria, de Israel Guerra. De acordo com a empresa, haveria suposto repasse de R$ 5 milhões para ajudar na campanha de Dilma. No fim de semana, a revista Veja já revelara que Israel recebera propina de R$ 120 mil para viabilizar contrato de uma empresa de transporte aéreo com os Correios. Erenice não resistiu. Redigiu uma carta - devidamente revisada pelo ministro da Comunicação Social, Franklin Martins - de demissão e a entregou a Lula no início da tarde. Na carta, se diz vítima de "sórdida campanha de desconstituição" da sua imagem e da sua família, e de "paixões eleitorais" que levaram a "um vale-tudo". Erenice assumiu o cargo em 31 de março. Antes, era secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da ex-ministra Dilma. O processo na Comissão de Ética do governo será mantido. A Casa Civil será ocupada interinamente por Carlos Eduardo Esteves Lima, funcionário de carreira do Senado. DEMISSÕES Funcionário fantasma da Terracap, a Companhia Imobiliária do Distrito Federal, Israel Dourado Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, foi exonerado ontem. Ele ocupava cargo comissionado com salário de R$ 6,8 mil, mas não dava expediente. Israel também é acusado de tráfico de influência no governo federal e foi o pivô do escândalo que ontem derrubou sua mãe do cargo de ministra da pasta mais importante do Planalto. Além dele, também foi pedida a exoneração de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Euricélio era servidor comissionado da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, a Novacap. Os cargos comissionados em empresas públicas de Israel e Euricélio foram conseguidos por meio de indicação política. Além de ser funcionário fantasma, Israel é acusado de fazer lobby de empresas junto ao governo federal. REPÚDIO O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ontem que o pedido de financiamento para um projeto da empresa EDRB foi rejeitado pela instituição por critérios técnicos. Em nota, repudiou a "insinuação" de que a concessão de crédito do banco estaria submetida a um suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil. SUBSTITUTOS Dois nomes estavam cotados ontem para substituir a ex-ministra Erenice Guerra nos três meses e meio que restam do governo de Luiz Inácio Lula da Silva: Miriam Belchior, atual gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e Paulo Bernardo, ministro do Planejamento. De acordo com informações do Palácio do Planalto, o presidente Lula só vai definir o nome de quem ocupará o posto-tampão na semana que vem. Lula tinha intenção de levar Miriam com ele para a viagem a Belém, hoje, onde participou de um comício para tentar ajudar na campanha da governadora Ana Júlia (PT), mas a auxiliar acabou não embarcando. DE OLHO EM MIRIAM Os tucanos passaram a juntar artilharia contra Miriam Belchior. Integrantes da campanha do presidenciável José Serra (PSDB) já colhiam informações sobre o envolvimento de Miriam na administração de Santo André, durante a gestão do petista Celso Daniel.

Edição EDIÇÃO 16961




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