BRASIL
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:09
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INJUSTIÇAS
Michel Temer defende o Congresso
CAROLINA FREITAS
Da Agência Estado - São Paulo
Em meio às denúncias de irregularidades no Congresso Nacional, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB), defendeu ontem o Legislativo, ao chamar de "absolutamente injustas" as críticas à Câmara e ao Senado. Para o deputado, as acusações contribuem para uma "consciência pública negativa" que pode levar a retrocessos na democracia. "A história nos recomenda cuidado. Se fizermos uma pesquisa popular, talvez 80% diga que o Legislativo é desnecessário, que se pode fechá-lo", disse ao participar de encontro do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), na tarde de hoje, na capital paulista. Na defensiva, Temer esquivou-se de responder, na entrevista coletiva após o evento, sobre duas novas denúncias de abusos na Câmara: a contratação de uma empregada doméstica com verba da Casa e o mau uso de passagens aéreas. "Não vou adotar o hábito de condenar antes de julgar", respondeu ao ser questionado sobre o caso do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que de acordo com a denúncia paga a empregada de sua casa como se ela fosse funcionária do legislativo. VERBAS Sobre o repasse de verbas para até uma passagem por dia para cada deputado, Temer disse que há um estudo em curso para cortar gastos. "Estamos fazendo um estudo técnico, que não há de se pautar por aquilo que se diz aqui e acolá", respondeu, não sem antes reclamar dos questionamentos da imprensa. "Não se costuma perguntar sobre o que está sendo feito de bom." Temer apoiou a atuação de seu colega de partido, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). "Sarney tem tomado providências", disse ao ser questionado sobre os 181 cargos de diretores criados no Senado. Sarney prometera exonerar metade dos servidores, mas, quase duas semanas, após a denúncia, ninguém foi afastado. O presidente da Câmara partiu em defesa do salário e dos benefícios recebidos pelos parlamentares, como auxílio moradia e passagens aéreas. "Não acho que seja mordomia", disse. "Se os parlamentares não ganham nada, só os poderosos terão representação. As demais categorias não terão condições de frequentar o Congresso." PROBLEMA Temer disse não ver problema no fato de os políticos trabalharem três dias por semana, de terça a quinta-feira. "Para levar ideias para o Brasil formal, é preciso permanente contato com o Brasil real." O peemedebista citou como exemplo de "trabalho árduo" dos congressistas sua atuação para limitar o poder das Medidas Provisórias de trancar a pauta do Congresso quando não votadas em 45 dias. A trava agora se aplica somente às leis ordinárias.