BRASIL
Sábado, 12 de Dezembro de 2009, 16h:14
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CÂMARA
Mensalão: OAB-DF pedirá a cassação de deputados
A decisão do Conselho Pleno da entidade pelo pedido de cassação foi unânime
TATIANA FREITAS
Da Agência Estado - São Paulo
A Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) ingressará nesta segunda-feira, na Câmara Legislativa de Brasília, com pedido de cassação, por quebra de decoro parlamentar, dos deputados citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Segundo nota da entidade, a OAB-DF pedirá ainda que, mesmo que os parlamentares não sejam cassados, eles sejam impedidos de votar nos processos de impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), que estão em tramitação. A decisão do Conselho Pleno da OAB-DF foi unânime. As investigações da PF na Operação Caixa de Pandora referem-se a um suposto esquema de corrupção na base governista do Distrito Federal, por meio de pagamentos a políticos aliados. Arruda é acusado de comandar o esquema, chamado de "mensalão do DEM". Pressionado pelas denúncias, Arruda anunciou na última quinta-feira a desfiliação do DEM. Também na próxima semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) poderá receber pedido da PF para que seja autorizada quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos no suposto esquema de pagamento de propina, de acordo com informações disponíveis no site do STJ. O responsável pelo inquérito no STJ é o ministro Fernando Gonçalves. 'CRITÉRIO É TÉCNICO' A verba de publicidade do governo do Distrito Federal impressiona: foram mais de R$ 500 milhões despejados na área nos últimos cinco anos. Os valores dobraram em dois anos no governo de José Roberto Arruda, que deixou o DEM na quinta-feira para evitar a expulsão do partido. Segundo dados do sistema de despesas do governo, R$ 87 milhões foram gastos em 2007. No ano passado, R$ 133 milhões, e, em 2009, a despesa já passou de R$ 160 milhões. Procurado pela reportagem, Weligton Moraes, assessor de Comunicação do governo do Distrito Federal, disse que não há orientação para as empresas de publicidade contratarem a AB Produções. "O critério utilizado por essas empresas de comunicação é de técnica e preço", disse. Segundo ele, a AB é responsável pelo "GDF TV", programa de televisão que divulga as ações do governo de Arruda. "Não se pode discriminar uma empresa com mais de 20 anos no mercado de Brasília", disse. Na quinta-feira, a reportagem esteve na sede da AB Produções. A secretária informou que Abdon Bucar não estava no local. Um e-mail foi enviado ao empresário, que não deu resposta. O Grupo Estado procurou ainda as agências de publicidade citadas na reportagem. Perguntou à Agnelo Pacheco e à AV Comunicação, por exemplo, quais são os critérios de contratação da AB Produções. Um dos sócios da AV, Ronald Van de Kamp informou que sua agência contrata a empresa de Abdon Bucar da mesma maneira que solicita os serviços de outras produtoras. Os critérios, disse, são de "técnica e preço". A reportagem pediu a relação de todos os serviços prestados pela AB, mas Van de Kamp não respondeu a esse pedido. À Polícia Federal, Durval Barbosa contou que a AB Produções alugou uma chácara no Lago Sul, em Brasília, pertencente ao deputado Osório Adriano (DEM).