BRASIL
Segunda-feira, 06 de Abril de 2009, 22h:08
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DOAÇÕES PRIVADAS
Mendes: fim não acaba com caixa 2
ALEXANDRE RODRIGUES
Da Agência Estado Rio
A discussão sobre o financiamento público de campanha, reaberta com a investigação das doações da Construtora Camargo Corrêa na Operação Castelo de Areia, não pode ser feita antes da reforma política. A tese foi defendida ontem pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na palestra que fez para diplomatas sul-americanos no Palácio do Itamaraty, no Rio. Para ele, sem alterar o voto proporcional, o fim das contribuições privadas não acabaria com o caixa dois, dada a autonomia dos candidatos em relação aos partidos e as dificuldades de fiscalização. "Teríamos mais gastos e não se conseguiria evitar recursos privados não declarados nas campanhas num País continental", afirmou Mendes, respondendo a perguntas dos diplomatas sobre o sistema político brasileiro e a missão de controle constitucional do STF. "Para definir qual vai ser o modelo de financiamento, temos que definir qual será o modelo político-eleitoral." Para Mendes, o financiamento público pressupõe voto em lista ou algum tipo de reforma intermediária, onde os partidos concentrariam os recursos. "Sabemos o que não queremos, mas ainda não sabemos o que queremos", definiu, ao constatar a falta de consenso sobre o tema no Brasil. Ele explicou aos estrangeiros que o impasse sobre a reforma política se deve, em boa parte, ao fato de ser tarefa dos próprios interessados, que se perdem em "cálculos políticos". O ministro indicou que uma reforma eleitoral poderia dar mais densidade aos partidos. Para ele, a fragilidade das legendas configuram uma maioria difusa no Congresso para o presidente Lula que, ressaltou, mesmo com mais de 70% de popularidade, não tem força política para liderar a reforma no Congresso.