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BRASIL
Quinta-feira, 29 de Março de 2007, 20h:03

PREVIDÊNCIA

Lula quer Marinho negociando déficit

O PT vai ter que cuidar da reforma da Previdência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o novo ministro da Previdência, Luiz Marinho, é a pessoa ideal para negociar com a rede de sindicatos a redução do déficit do sistema de R$ 47 bilhões. Num discurso em que destacou a relação "quase de pai para filho" com Marinho, ele deixou claro, no entanto, que as mudanças que serão debatidas com os sindicalistas não devem prejudicar os mais pobres e só devem ter reflexos nas futuras gerações. De improviso, Lula disse que o PDT, partido cotado para comandar a pasta, teria "dificuldades" para discutir temas da área. O presidente ressaltou que o maior problema, o déficit do sistema, é resultado de uma política social garantida pela Constituição de 1988, que distribuiu aposentadorias a trabalhadores rurais e concedeu benefícios para pessoas com deficiência. Ele deixou claro que o governo não vai retirar do bolo previdenciário os programas sociais de atendimentos a idosos e portadores de deficiência, por exemplo. "Quero avisar a todos que acham que a Previdência é insolúvel que ela vai ser consertada sem que a gente jogue no colo dos pobres a responsabilidade pelo déficit", afirmou. O presidente destacou a importância de políticas sociais para alguns setores. "Isso não é nenhum favor que o governo faz, é um compromisso da nação para com uma parcela do seu povo que está proibida de trabalhar e ter acesso a muitas coisas", disse. "Então, não vamos dizer que isso é déficit, é um déficit do Tesouro e não da Previdência." Lula confidenciou que chegou a pensar na ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para comandar a Previdência. "Aí olhei, poderia ser a Dilma, mas não era a Dilma, a Dilma briga demais", contou. O presidente disse que também cogitou nos nomes dos ministros Silas Rondeau (Minas e Energia) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). Rondeau não foi escolhido porque "esse negócio" não é com ele e Patrus porque "já cuida de muita gente pobre". O presidente disse que o ministro foi capaz de dialogar com todas as centrais sindicais, creditando a Marinho o atual valor do salário mínimo, a reavaliação da alíquota do Imposto de Renda e a garantia de mais recursos para financiamentos de obras de infra-estrutura. Lula também elogiou o ex-ministro da Previdência, Nelson Machado, um técnico de carreira do setor público que teria atuado na pasta sem fazer "perseguições". INCAPAZ - O presidente explicou que não escolheu Carlos Lupi, do PDT, para a pasta da Previdência, como cogitava inicialmente, porque este teria "dificuldades". "Era muito complicado colocar um companheiro para fazer uma determinada política na Previdência, que para o seu partido é quase uma política de fé", disse. Lula voltou a comentar a necessidade de uma nova reforma do setor, mas como em outras ocasiões não disse quando o governo irá propor mudanças. "Certamente, ele (Lupi) teria dificuldades em alguns temas que vamos ter de discutir na Previdência, para futuras gerações, e também não queremos que seja proposta do governo, mas uma proposta da sociedade brasileira, daqueles que pagam e daqueles que recebem", disse. "Isso vai permitir que daqui a uma geração nova, duas gerações, tenha um sistema de seguridade social mais condizente com as necessidades dos nossos trabalhadores."

Edição EDIÇÃO 16969




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