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BRASIL
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010, 21h:41

MÁQUINA

José Serra parte para o ataque

CAROLINA FREITAS
Da Agência Estado - São Paulo
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar a máquina pública em benefício da candidata do PT, Dilma Rousseff. Para o tucano, o lançamento por parte do governo federal de um programa de combate ao crack, no mês passado, teve vistas às eleições. Serra disse que, após sete anos e meio de governo, os petistas souberam por pesquisas de opinião da preocupação do eleitor com o crack e lançaram o programa. "É uma tabelinha quase perfeita de uso da máquina. A candidata fala e o governo lança o plano", afirmou o candidato, em sabatina promovida pelo jornal "Folha de S. Paulo" e pelo portal UOL, na capital paulista. O tucano acusou os adversários de usarem de "terrorismo" para tentar minar sua campanha e sua imagem, principalmente em debates regionais e por meio da internet. Citou um texto divulgado em blogs por uma pessoa ligada a Lula e Dilma afirmando que ele acabaria com o ProUni caso eleito. "Eu nunca disse isso. Tem tanta coisa maluca espalhada. Esse é o método terrorista. Não violento, mas terrorista." Questionado sobre privatizações, tema polêmico que despertou boatos e tirou votos de Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência em 2006, Serra classificou a questão como um "falso assunto". "Não vejo muito espaço para mais privatizações, mas esse debate sempre é feito com terrorismo", disse. "Essa será uma eleição difícil." Exemplo dessa dificuldade foi a suposta preparação de um dossiê contra Serra por colaboradores da campanha de Dilma. Serra sugeriu ontem à adversária que se desculpe pelo episódio. "Ela poderia dizer: 'Desculpem se algo errado aconteceu. Estou tomando providências'." Para o candidato, existe uma tendência de "culpar a vítima" em casos como esse. "Até hoje não houve nenhum pedido de desculpas pelo episódio dos aloprados, o que significa que eles vão continuar fazendo (dossiês)." BOLSA FAMÍLIA Serra, hoje defensor do Bolsa Família, foi lembrado pelos entrevistadores que, no passado, classificou o programa como um "instrumento assistencialista de política eleitoral". Com ar sisudo, rebateu dizendo que os jornalistas haviam deixado de pesquisar o que Lula disse sobre os programas assistenciais criados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Ele chamou de Bolsa Esmola", disse. "Depois juntou o que chamou de Bolsa Esmola e chamou de Bolsa Família." VICE O tucano esquivou-se, mais uma vez, de falar sobre quem será seu companheiro de chapa. O PSDB vive há meses uma indefinição sobre o vice, posto recusado pelo ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB). "Também tenho uma enorme curiosidade (a respeito do nome), mas até o final do mês isso se resolve. Acabamos deixando para o final do mês." Serra negou que haja qualquer acerto entre ele e a presidenciável do PV, Marina Silva, com vistas à eleição de outubro. "Adoraria ser o herdeiro dos votos de Marina (em um eventual segundo turno). Eu até toparia uma tabelinha com Marina, mas não tem", disse. Segundo Serra, a identificação entre os dois se dá pelo fato de ele ser também um "ambientalista".

Edição EDIÇÃO 16968




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