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BRASIL
Terça-feira, 25 de Maio de 2010, 21h:08

PEDOFILIA

Família de jovem quer indenização

PEDRO DANTAS
Da Agência Estado – Rio
A família do jovem supostamente abusado por um padre polonês no Rio de Janeiro anunciou ontem que pedirá indenização à Igreja Católica por danos morais. "Não há como minimizar a dor da família, mas queremos que a ação cível puna a Igreja Católica. Nesses casos, os padres e bispos sofrem sanções, mas a Igreja não toma providências internas. Desta vez, nós queremos responsabilizar a instituição, pois o abuso ocorreu em uma igreja", disse Perón Cavalcante, advogado de R. no processo. O padre Marcin Michal Strachanowski, de 44 anos, entregou-se na última sexta-feira à noite à 33ª Delegacia de Polícia. Ele foi indiciado inicialmente por atentado violento ao pudor, mas deve responder por corrupção de menores. O religioso foi transferido ontem (24) para a Penitenciária Bangu 8. A prisão dele foi decretada por ter abusado de R. em março de 2007, na Paróquia de São Sebastião, em Bento Ribeiro, no subúrbio do Rio. Em seu despacho, o juiz Alexandre Abrahão, da 1ª Vara Criminal de Bangu, escreveu que o padre transformou a casa paroquial em "uma masmorra erótica". R. atuou como coroinha até 2006 e voltou à igreja em 2007. Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, o religioso algemou o jovem e praticou sexo oral na vítima antes de uma tentativa frustrada de penetração. O juiz descreve o padre como "uma pessoa compulsivamente ligada a sexo com adolescentes", com capacidade para "executar a lavagem cerebral" nos fiéis. Segundo o magistrado, após o abuso, o acusado colocou dinheiro no bolso de R. e exigiu que o ato ficasse em segredo. Nos dias seguintes, após a recusa do então adolescente em atender suas ligações, o religioso escreveu em um e-mail que já sabia as flores que o rapaz gostaria no caixão, caso R. contasse sobre o abuso. Em nota, a Arquidiocese do Rio "lamentou o ocorrido" e informou que o padre está afastado das funções paroquiais. O documento cita que o acusado também responderá a processo canônico no Tribunal Eclesiástico. A nota diz também que Strachanowski constituiu advogado próprio, mas na 33ª Delegacia de Polícia de Realengo, onde o padre se apresentou, os agentes informaram que ele chegou acompanhado de um paroquiano. À polícia, o religioso disse que o ato sexual foi consensual.

Edição EDIÇÃO 16959




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