BRASIL
Terça-feira, 03 de Junho de 2014, 20h:16
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CORRUPÇÃO
Ex-governador do DF continua na prisão
Paulo Octavio (PP) teve o pedido de prisão preventiva decretado anteontem. Ele foi preso à noite, quando deixava o escritório, localizado no centro de Brasília
Suspeito de participação em um esquema de corrupção de agentes públicos para a concessão de alvarás, investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (DF) na Operação Átrio, o empresário e ex-governador do DF Paulo Octavio (PP) continua preso em Brasília. Gravações autorizadas pela Justiça mostram que Paulo Octávio tentou atrapalhar investigação do Ministério Público sobre fraude na concessão de alvarás para construção de um shopping e outros prédios em Taguatinga e Águas Claras. Um dos alvos principais da investigação, Paulo Octávio está preso desde segunda-feira. O grupo do ex-governador, um dos políticos mais influentes do Distrito Federal, é acusado de subornar servidores públicos em troca de licenças ilegais para construção de prédios. Numa das conversas gravadas com autorização judicial, Paulo Octávio manda o administrador de Taguatinga, Carlos Jales, a resistir à ordem de entrega de documentos a uma das promotoras que estão à frente das investigações sobre as fraudes. As interceptações telefônicas "informaram também que o denunciado Paulo Octávio exercia profunda influência junto aos agentes públicos, que, valendo-se do cargo público, agiam para beneficiar o grupo de empresas do denunciado Paulo Octávio, sobretudo para a confecção de alvarás de construções e habite-se ideologicamente falsos, bem como a falsificação de relatórios de impactos de trânsitos", informa o Ministério Público do Distrito Federal. Segundo os promotores do caso, a organização de Paulo Octávio usava de meios ilegais para obter a aprovação de projetos de edifícios com altura acima dos limites permitidos, em áreas com problemas relacionados às condições dos solo, entre outros. O grupo é acusado até mesmo de falsificar relatório de impacto de trânsito para facilitar a aprovação de projetos irregulares. Pelas informações do Ministério Público, a suposta organização do ex-governador, obteve a aprovação de forma ilegal do shopping JK Shopping & Tower e do prédio Le Quartier Boulevard e Kimberley Plain em Taguatinga, e dos prédios Le Quartier, em Águas Claras. A partir das investigações, o Ministério Público apresentou sete denúncias contra Paulo Octávio e outros integrantes da suposta organização. Entre os denunciados está o diretor do Detran, Albano de Oliveira Lima. CORRUPÇÃO O grupo foi denunciado por corrupção, formação de organização criminosa, falsidade ideológica. Paulo Octávio foi preso por volta das 21 horas de segunda-feira, quando deixava um de seus escritórios no Manhatan Hotel, um dos mais caros de Brasília. A prisão foi decretada pelo juiz Wagno Antonio de Sousa, da 2ª Vara Criminal de Taguatinga. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que vai recorrer com pedido de habeas corpus para soltar o ex-governador. A prisão e as denúncias contra a suposta organização de Paulo Octávio são desdobramentos de uma investigação iniciada ano passado pelo Ministério Público local. Na primeira fase da investigação foram presos os administradores, que ocupam cargos equivalentes ao de prefeitos, de Taguatinga e Águas Claras. Paulo Octávio foi governador do Distrito Federal em fevereiro do ano passado, logo depois da renúncia do ex-governador José Roberto Arruda. Arruda deixou o cargo depois de passar 60 dias presos. O ex-governador foi filmado recebendo um pacote de dinheiro do ex-secretário de Assuntos Institucionais Durval Barbosa, o operador do chamado mensalão do DEM. Logo depois da saída de Arruda, Paulo Octávio também renunciou ao cargo. O ex-governador também foi acusado de envolvimento com o esquema de arrecadação e distribuição de dinheiro entre aliados de Arruda.