BRASIL
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 13h:29
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CRIANÇA/INTERNAÇÃO
Estudo mede tensão de criança
CLAUDIA COLLUCI
Folhapress - São Paulo
Um estudo inédito no Brasil vai avaliar o nível de estresse da criança durante a internação e verificar se essa tensão pode ser reduzida com brincadeiras. A pesquisa está sendo realizada no hospital estadual infantil Cândido Fontoura, na zona leste de São Paulo, e deve ficar pronta dentro de quatro meses. Por meio de exames de sangue - que já seriam feitos independentemente da pesquisa -, os pesquisadores vão analisar o nível do cortisol, hormônio liberado em situações de estresse. A proposta é checar, cientificamente, se o fato de a criança brincar antes da coleta de sangue a deixa menos estressada em relação às crianças não-expostas às brincadeiras. Na prática, os pesquisadores e os médicos pensam que sim. Tanto que brinquedos, contadores de história, teatrinhos, paredes, jalecos e estetoscópios coloridos estão entre as estratégias de muitos hospitais e consultórios para fazer com que a ida ao médico seja uma experiência menos traumatizante para a criança. Estudos internacionais mostram que 44% dos pequenos choram durante um procedimento médico, 24% entram em pânico e 16% precisam ser contidos em razão do desespero. No Brasil não há estatísticas oficiais sobre a dor ou o medo infantil. No Cândido Fontoura, que atende 300 crianças por dia e tem 116 leitos hospitalares, o medo infantil é representado em histórias como "A Operação de Lili'' (Rubem Alves), em que os personagens (bichos da floresta) são interpretadas por funcionários. "A criança fica mais relaxada porque se identifica com a Lili [elefanta que, doente, toma injeção e recebe os cuidados de uma fada]. Ela percebe que a história tem relação com o que está vivendo'', conta a diretora Ana Chaddad, diretora do hospital. HOSPITAL Em Fortaleza (CE), no hospital infantil Albert Sabin, a criançada pode se divertir em uma mini-cidade - com lojinhas, escola, parques, salão de beleza, entre outros. As paredes e os jalecos, tradicionalmente brancos, ganharam cor, e os estetoscópios, bichinhos. "Precisamos quebrar o gelo, fazer com que, na medida do possível, a criança esteja feliz dentro do hospital, afirma Regina Portela, presidente do departamento científico de cuidados hospitalares da Sociedade Brasileira de Pediatria. Além das brincadeiras, os pediatras avaliam ser fundamental que a criança seja informada de todos os procedimentos aos quais será submetida. A criança não pode ser enganada. Até mentirinhas corriqueiras, como aquela de levar o filho para tomar injeção ou vacina com o clássico "não vai doer nada não são recomendadas, segundo os médicos. "É melhor falar que vai doer um pouquinho, como uma picada de formiga, diz Portela. No Albert Sabin, por exemplo, a cirurgia e os objetos que serão usados durante o procedimento são mostrados previamente à criança. Os médicos simulam o ato cirúrgico em bonecos. CIRURGIA Portela, que já dirigiu o hospital, conta que houve diminuição do tempo de cirurgia e da quantidade de pré-anestésicos após a adoção desse método. "Antes, o processo de acalmar a criança era demorado porque ela se desesperava ao chegar na sala de cirurgia. Na opinião de Aide Mitie Kudo, terapeuta ocupacional do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, é importante que os pais e os profissionais saibam usar o didatismo para explicar os procedimentos médicos. Quando a criança tem indicação de um raio-X, por exemplo, é melhor dizer que ela fará uma fotografia de dentro do corpo. "Precisamos usar a linguagem de entendimento da criança, o lúdico.