BRASIL
Sábado, 19 de Junho de 2010, 13h:44
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PESQUISA
Estresse dentro de casa é maior que no trabalho
ANA CONCEIÇÃO
Da Agência Estado - São Paulo
Estudo realizado com cerca de 100 mil pessoas que participaram do mutirão do coração, promovido no ano passado pela Secretaria da Saúde em parceria com Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, mostrou que as pessoas ficam mais estressadas dentro de casa do que no trabalho. "O trânsito e o chefe são dois fatores menos estressantes do que os familiares", afirmou o cardiologista Ari Timerman, diretor do serviço hospitalar do Instituto Dante Pazzanese e um dos coordenadores da iniciativa. Ele lembrou que em um ano de crise a falta de recursos financeiros pode ter contribuído para o estresse dentro de casa. "Dificuldades financeiras foram apontadas por 24,45% das pessoas", revelou. O estudo foi o mais amplo já realizado no País sobre os fatores que podem levar a doenças cardiovasculares e o primeiro em que o estresse foi considerado e avaliado como elemento de risco para a saúde do coração. No mutirão, realizado nos municípios de São Paulo e Campinas, o estresse foi medido em vários locais, como trabalho, casa, sociedade (clubes, bares, boates). Também foram considerados fatores como problemas financeiros e crenças religiosas. De todos, o lar foi apontado como o local de maior estresse pela população. Cerca de 23% da população pesquisada afirmou ter sofrido estresse intenso ou exagerado em casa por causa de problemas com o cônjuge, filhos e até animais de estimação. Dentro desse universo, 46,8% contaram ter vivido ao menos uma situação estressante no último ano, como a morte de algum familiar, perda de emprego, separação conjugal ou ruína financeira. E as mulheres sofrem mais com o estresse dentro de casa: 28,34% delas revelaram estresse intenso ou exagerado. Entre os homens esse índice foi de 13,07%. O estresse intenso ou exagerado no ambiente de trabalho foi citado por um número bem menor de pessoas: 15%. Mais da metade - 50,95% - afirmou que não viver situações desse tipo no trabalho; outros 14,78% relataram pouco estresse; e 19,13% estresse moderado. Na sociedade, as pessoas afirmaram que o estresse é ausente em 43,63% dos casos; 23,91% disseram ter pouco estresse; 22,06%, moderado; 7,30%, intenso; e 3,10%, exagerado.