BRASIL
Segunda-feira, 05 de Maio de 2008, 19h:30
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BNDES
Escutas ligam Paulinho a propina
FAUSTO MACEDO e LUCIANA NUNES LEAL
Da Agencia Estado Brasília
A procuradora da República Adriana Scordamaglia, que investiga suposto esquema de desvios de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), declarou ontem que existem suspeitas de que o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), recebeu propina. "A suspeita com relação a Paulinho é de que ele faz parte também do desvio de verbas do BNDES. É esta a suspeita", afirmou Adriana. "Temos suspeitas nas interceptações telefônicas, nos monitoramentos, analisadas dentro de um contexto de que é o Paulinho." A procuradora não falou sobre valores que teriam sido pagos ao parlamentar. Alegou que não é da sua competência rastrear a conduta daqueles que detêm foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal (STF), caso de Paulinho. Cópia do inquérito da Operação Santa Tereza, que revela como operava a fraude a partir do BNDES, foi remetida ontem ao STF, por ordem do juiz Marcio Catapani, da 2.ª Vara Federal. Indagada se a suspeita é de que o deputado recebia uma parte dos recursos desviados, a procuradora foi taxativa: "Sim." Durante conferência com a imprensa na sede do MPF em São Paulo, Adriana Scordamaglia deu pistas sobre os indícios que cercam Paulinho. "(Os indícios) estão no monitoramento telefônico, na citação do seu nome nos monitoramentos telefônicos, mais de uma vez." A procuradora disse: "Os indícios de que seja ele (Paulinho) são as ramificações das investigações. Na verdade, algumas vezes não foi só citado o nome Paulinho, ele foi citado num contexto em que faz-se supor que seja ele." Diante da insistência dos repórteres, a procuradora retrucou: "Não vou falar do Paulinho, vocês estão me pressionando." Ela revelou que "outras autoridades, inclusive políticos, aparecem como beneficiários" da partilha. Afirmou que "funcionários do BNDES" estão sob suspeita, mas não citou nomes. Com relação aos novos personagens do caso, a Polícia Federal vai abrir outros inquéritos. Pelo menos mais 10 prefeitos podem estar envolvidos em contratos ilegais de empréstimos do banco. Até agora, apenas um prefeito, Alberto Mourão (PSDB), de Praia Grande, está formalmente citado na Santa Tereza. Mourão nega ter sido beneficiário de desvio de verbas. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse ontem que, "se tiver elementos", pedirá abertura de inquérito para investigar suposto envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), no esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investigado pela Polícia Federal. O procurador informou que o processo será "examinado detidamente". Cópia dos autos da Operação Santa Tereza foi encaminhada pela Justiça Federal de São Paulo e deverá chegar hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF), que pedirá o parecer do procurador geral. "Vou examinar detidamente. Eu só tenho informação de jornal. Quando chegar (a cópia dos autos), vou verificar. Se tiver alguma coisa, tomo as providências que sempre tenho tomado", disse o procurador. Indagado se pedirá abertura do inquérito, ele respondeu com cautela: "Se tiver elementos, sim. Agora eu não posso fazer um juízo, porque quando se lê uma documentação, alguma pessoa extrai dela uma convicção. Eu posso extrair outra." A presença de Paulinho nas investigações é o que motivou a remessa do processo ao STF. Como deputado, ele tem foro privilegiado e só pode ser processado e julgado pelo Supremo. A Polícia Federal investiga se Paulinho foi beneficiado com recursos desviados do BNDES. No entanto, ele só poderá ser incluído na lista de investigados com autorização do Supremo. Assim que o processo chegar ao STF, um ministro será designado relator e encaminhará imediatamente um pedido de parecer à Procuradoria Geral da República (PGR). Além de decidir se abre ou não inquérito para investigar Paulinho, o STF também dirá se apenas o deputado ficará no âmbito da mais alta instância do Judiciário ou se todos os envolvidos responderão ao Supremo. Se o STF ficar restrito à investigação de Paulinho, a apuração poderá ser mais rápida. De qualquer maneira, o processo, se aberto, dificilmente levará menos de dois anos até o julgamento final.