BRASIL
Segunda-feira, 02 de Janeiro de 2006, 20h:48
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Entrevista: postura foi "deprimente", diz oposição
FÁBIO ZANINI, MARI TORTATO e LUIZ FRANCISCO
Folhapress Brasília
A oposição chamou de "deprimente" a entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa Fantástico, que foi ao ar no domingo. Por outro lado, governistas procuraram enxergar um presidente que tenta deixar para trás a crise política. "Foi uma entrevista que mostrou a falência espiritual e a moratória moral do governo. Vi uma cena deprimente, um presidente desencantado com ele mesmo", disse o líder do bloco de oposição na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA). Relator da CPI dos Correios, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) rebateu a afirmação do presidente de que apenas o relatório final terá valor. "O texto que apresentei até agora também tem valor e é um documento de tudo que fizemos até agora. Também tem caráter final." Segundo ele, o presidente também devia deixar claro qual o seu conceito do que são "provas". "Nosso trabalho já demonstrou tudo que colocamos no texto. O que ele quer? Que apareça um documento dizendo que o "mensalão existe, assinado por todos os envolvidos?", questiona o relator. Para o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP), a entrevista foi "triste". "O presidente me parece um homem perdido, alienado dos problemas. Não tem consciência do que acontece ao seu redor", declarou. Exemplo disso, segundo o tucano, é o fato de Lula não reconhecer que os empréstimos apresentados pelo PT como fonte do "valerioduto" seriam forjados. O líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), afirmou ter ficado indignado com a "audácia" de Lula ao dizer que a oposição, no futuro, terá de pedir desculpas a ele. "A entrevista foi catastrófica." Entre os governistas, o sentimento foi de alívio com um presidente que estaria "pronto para a briga". "O presidente criou uma expectativa para 2006. Lula está centrado na defesa do seu governo", disse o líder do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES). No entanto, Casagrande disse que Lula poderia ter deixado mais claro o reconhecimento de que delegou poder demais a dirigentes como Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino. Integrante da ala à esquerda do PT, o deputado Walter Pinheiro (BA) disse que a entrevista do presidente teve um mérito. "Ele reconheceu os erros do PT e disse que o partido vai pagar muito caro pelas falhas cometidas por algumas pessoas." No entanto, segundo Pinheiro, o presidente foi evasivo em relação à sucessão. "Ele tinha de dizer se vai ser candidato ou não. Quando mais o Lula adiar a decisão, pior para o PT." Para Pinheiro, o presidente tinha de aproveitar a entrevista para mandar outra mensagem à população. "Acho que o Lula poderia ter dito que o PT errou, como o fez, mas, ao mesmo tempo, dizer também que o partido no poder teve muitas conquistas." AUTO-PRESERVAÇÃO O sub-relator da CPI dos Correios Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que Lula procurou preservar só a si mesmo na entrevista. "A impressão que ficou é que ele tratou de salvar a própria pele." Fruet disse que perdeu o início da entrevista, mas que, do que viu, achou que Lula mudou a linha adotada até aqui sobre o escândalo do "mensalão", principalmente sobre as investigações da CPI. "Antes ele dizia que a CPI não tinha provas. Agora, que vai aguardar o relatório final para tirar conclusão." Para Fruet, ao falar de Dirceu e do PT e dizer que é melhor esperar pela conclusão da CPI, Lula "criou mais expectativa sobre o relatório final". IRONIA O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) classificou como "fracasso total" a entrevista de Lula. "A entrevista foi um fracasso total porque ele não teve coragem de afirmar aos brasileiros as verdades que ele sabe." ACM disse também que, "como todo mentiroso", o presidente Lula demonstrou insegurança. O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) também ironizou a entrevista. "Quando vi o Lula gaguejando, não sabia o que era mais cômico: o Pedro Bial apresentando o "Big Brother' ou o Lula falando aquelas mentiras."