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BRASIL
Segunda-feira, 24 de Junho de 2013, 20h:01

DEMÓSTENES/CACHOEIRA

Dupla é denunciada por corrupção

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou por corrupção o ex-senador e promotor de Justiça Demóstenes Torres (sem partido), o contraventor Carlinhos Cachoeira e o ex-diretor da Construtora Delta Cláudio Dias de Abreu ao Tribunal de Justiça do estado. A denúncia é resultado de investigação instaurada em março de 2012, com base em dados colhidos nas operações Monte Carlo e Vegas. Carlinhos Cachoeira afirmou que não vai dar nenhuma declaração a respeito. O advogado dele, Nabor Bulhões, disse que ainda não teve acesso ao teor da denúncia. "Tão logo tiver acesso, posso falar. Seria inconsequente eu falar sobre algo que não conheço", afirmou. Demóstenes é acusado por oito crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa. Segundo o MP, ele recebeu diversas vantagens em razão do cargo que ocupava no Senado, tais como viagens em aeronaves particulares, bebidas de alto custo, eletrodomésticos de luxo e recebimento de R$ 1,52 milhão. Deste dinheiro, R$ 20 mil foram recebidos em notas de R$ 20, afirma o MP. Já o ex-diretor da Construtora Delta, Cláudio Dias de Abreu, e o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, são acusados de corrupção ativa. Segundo o procurador-geral de Justiça de Goiás, Lauro Machado Nogueira, as provas do processo não podem ser apresentadas, pois estão sob sigilo. Outra acusação feita pelo Ministério Público é a atuação de Torres em um esquema de oferecimento de propina ao prefeito de Anápolis, Antônio Gomide. Segundo o MP, o ex-senador coordenou, em julho de 2011, uma reunião entre Claudio Abreu e Cachoeira. A dupla teria oferecido dinheiro ao prefeito para que eles fossem beneficiados por meio de um contrato com a Construtora Queiroz Galvão. Não há indícios de que a proposta foi aceita, afirma o MP. Além destas denúncias, o MP protocolou junto ao TJ-GO o pedido de quebra de sigilo fiscal de Demóstenes, que ainda não foi analisado. O Ministério Público também renovou o pedido de suspensão cautelar do ex-senador de seu cargo como procurador de Justiça ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Segundo Lauro Machado, o MP entende que “durante o trâmite do processo criminal não há condições do exercício do cargo de procurador de Justiça”. Demóstenes Torres está afastado do cargo desde abril de 2012 por seu envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira. Por conta do relacionamento entre os dois, o ex-senador também perdeu o cargo no Senado e está inelegível até 2027. Apesar de estar afastado da função pública de procurador, Demóstenes segue recebendo salário bruto de R$ 26 mil. Se for suspenso, ele perde o benefício. O procurador-geral explica que, como o cargo é vitalício, a única forma de perder o cargo é se Demóstenes for condenado por qualquer um dos crimes. Neste caso, o ex-senador também perde o direito a aposentadoria.

Edição EDIÇÃO 16962




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