BRASIL
Sexta-feira, 28 de Março de 2008, 20h:13
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CARTÕES CORPORATIVOS
Dilma nega dossiê e fala em banco de dados
Ministra disse que essa coleta de informações não teve por objetivo investigar o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
LEONENCIO NOSSA e SILVIA AMORIM
Da Agência Estado Recife
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse na manhã de ontem que o governo montou um banco de dados com informações sobre despesas com cartões corporativos para atender possíveis pedidos legais. Em rápida entrevista ao deixar o hotel em que estava hospedada na praia de Boa Viagem, no Recife, Dilma disse que essa coleta de informações não teve por objetivo investigar o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Nós não investigamos o governo passado", afirmou. "Reiteramos que não foi feito dossiê, isso não é possível, eu tenho certeza." Desde o início da semana, o Palácio do Planalto não questionou a veracidade das informações de despesas da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de Fernando Henrique Cardoso, no período de 1995 a 2002, divulgadas pela revista "Veja", mas negou ter montado um dossiê para contra-atacar os tucanos. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que queria saber como vazaram os dados que o governo decidiu levantar em reuniões ministeriais e com líderes partidários. Ele ainda classificou de "mentirosa" reportagem da revista sobre a elaboração do suposto plano para atacar os opositores. A uma pergunta se era legítimo o governo investigar adversários, assim como faz a oposição, a ministra Dilma Rousseff insistiu que o trabalho de coleta de informações seguiu procedimentos normais, sem determinar o período da gestão anterior. "Mas o governo não investiga a oposição", disse. "O que o governo fez foi um banco de dados." Sobre a reportagem publicada ontem pelo jornal "Folha de S. Paulo", apontando a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, como responsável pela montagem do suposto dossiê, Dilma respondeu que a formação do banco de dados teve caráter oficial. "Não investigamos, fizemos basicamente um banco de dados e fornecemos os dados para esse banco", disse. "Não acho que a 'Veja' e a 'Folha' montaram, outros fizeram esse trabalho e vocês (da imprensa) estão divulgando." Ao sair do hotel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis comentar o caso dos cartões corporativos. Na manhã de quinta-feira, segundo dia de sua viagem ao Nordeste, ele prometeu à imprensa falar sobre o assunto. A promessa não tinha sido cumprida até a manhã de hoje. Do Recife, Lula e Dilma seguiram para Paulo Afonso, na Bahia, onde iriam visitar um projeto de irrigação. Antes de entrar na van que a levaria até a base aérea do Recife, a ministra ouviu pessoas gritarem o nome dela. "Dilma, minha presidente", disse um homem. FHC O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) acredita que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deveria demitir quem ordenou o levantamento de gastos pessoais dele e da sua mulher, Ruth Cardoso. "Não creio que ela (Dilma) tenha telefonado para enganar a Ruth, ela deve ter sido enganada. Agora, corresponde a ela mostrar que foi enganada e demitir quem fez isso," afirmou FHC, durante entrevista concedida ontem ao programa "Em Questão", da TV Gazeta, conduzido pela jornalista Maria Lydia e que vai ao ar amanhã, às 23h30.