A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com reclamação, na sexta-feira, no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pedindo a suspensão de inquérito aberto pelo Ministério Público Federal para investigar o petista. A reclamação também pede a abertura de procedimento contra o procurador que abriu a investigação. Não há prazo para a análise do documento no conselho. ABERTURA A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu na quinta-feira inquérito para investigar suposto tráfico de influência internacional do ex-presidente Lula para favorecer a construtora Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. Diante do espanto da abertura de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), sem nenhum indício de crime [...] os advogados de Lula apresentaram uma reclamação disciplinar ao CNMP, para requerer apuração da conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, autor do pedido de abertura do PIC contra o ex-presidente. A representação pede a suspensão do inquérito, abertura de sindicância e processo administrativo disciplinar referente às atitudes de Furtado, diz a nota do Instituto Lula. A assessoria de imprensa da Procuradoria informou que o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado não foi notificado e não iria comentar a representação. APURAÇÃO Na análise dos advogados de Lula o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado teria interferido em apuração conduzida por outra procuradora, Mirella Aguiar, que está de férias. "O Instituto Lula tem colaborado e prestado todas as informações solicitadas pela procuradora Mirella de Carvalho Aguiar", diz a nota. Para a defesa, houve violação dos deveres funcionais por parte do procurador, que, na visão dos advogados de Lula, ao interferir na apuração preliminar conduzida pela procuradora titular do caso, desconsiderou prazos e instâncias do próprio Ministério Público.