BRASIL
Quinta-feira, 04 de Junho de 2009, 19h:38
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Declaração de Jobim sobre acidente provoca polêmica
ANDREI NETTO
Da Agência Estado Paris, França
As declarações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, descartando a hipótese de uma explosão e de um incêndio em pleno voo a bordo do Airbus A330-200, foram vistas com ceticismo e críticas na França ontem. Enquanto as autoridades sustentam que nenhuma hipótese pode ser descartada até aqui, especialistas reiteraram que, mesmo em caso de explosão, o combustível transportado pela aeronave poderia não se pulverizar no oceano. Em entrevista coletiva concedida quarta-feira, no Rio, Jobim afirmou que a concentração de óleo em uma mancha no oceano Atlântico indicaria que o Airbus, que voava entre a capital carioca e Paris na noite de domingo, teria colidido contra a água e não se partido em pleno voo. "A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir uma explosão", estimou. O ministro esclareceu ainda que os destroços do avião, localizados pelas Forças Armadas do Brasil ao longo de uma faixa de cinco quilômetros - a cerca de 700 quilômetros da ilha de Fernando de Noronha - havia se desfeito hoje. Em Paris, a declaração repercutiu na imprensa porque, pela primeira vez, uma autoridade dos dois países descartou hipóteses relacionadas às causas do acidente com o voo AF 447. Procurada pela reportagem, a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA) se recusou a comentar a posição de Jobim. O órgão é o responsável pela enquete, já que o desastre aconteceu em águas internacionais e com um avião matriculado na França. Na quarta-feira pela manhã, Paul-Louis Arslanidan, diretor da entidade, havia reafirmado que nenhuma hipótese poderia ser descartada no momento atual das investigações, antes mesmo da recuperação dos primeiros destroços e das caixas-pretas O silêncio também foi adotado pelo porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da França, Patrick Prazuck. Segundo ele, a instituição não se envolverá em questões técnicas, relativas à investigação, nem se posicionará sobre as declarações do ministro brasileiro. Entre especialistas, a presteza com que Jobim descartou a possibilidade de uma explosão no Airbus A330 gerou críticas. Para Eric Derivry, porta-voz do Sindicato de Pilotos da França e comandante de um aparelho idêntico ao destruído no acidente, os comentários do ministro brasileiro podem, mais do que precipitados, serem errados. "Mesmo quando uma aeronave sofre uma explosão em pleno voo, partes importantes de sua fuselagem podem ficar inteiras. Este pode bem ter sido o caso dos reservatórios de querosene", estimou. "Eles podem não ter sido fragmentados até o choque com o mar, o que explicaria um vazamento posterior e a mancha." A velocidade das conclusões do ministro Jobim também foram exploradas pela imprensa do país. A maior parte dos veículos se agarrou à informação como um passo à frente nas investigações. Outros foram mais céticos. Na emissora de TV TF1, a mais importante rede da França, Jobim foi chamado de "bavard", que em francês significa "indiscreto" ou "falador". Na emissora concorrente, France 2, uma reportagem afirmou que "a França é mais prudente antes de falar".