BRASIL
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:08
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PESQUISA
Crise global atinge popularidade de Lula
Apesar da queda da aprovação pessoal e de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou sua capacidade de transferência de votos
LEONARDO GOY
Da Agência Estado Brasília
Sob efeito da crise econômica global, as avaliações do governo Lula e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colhidas pela pesquisa CNT/Sensus caíram em março, ante números de janeiro, para os menores níveis desde abril de 2008. Segundo levantamento, feito com dois mil entrevistados em 24 Estados brasileiros, entre os dias 23 e 27 de março, a avaliação positiva do governo Lula caiu de 72,5% de janeiro para 62,4% em março. Em abril do ano passado, a aprovação era de 57,5%. Já a aprovação pessoal do presidente Lula teve um recuo de 84% em janeiro para 76,2% em março. Em abril de 2008, era de 69,3%. "Essa queda basicamente é efeito da piora nas perspectivas para emprego e renda, mas ainda são porcentuais significativamente elevados", disse o responsável pela pesquisa, o diretor da Sensus Ricardo Guedes. Apesar da queda na aprovação do governo e do presidente, os patamares ainda são bem superiores aos verificados pela pesquisa no governo Fernando Henrique Cardoso, no mesmo mês de um ano pré-eleições presidenciais. Em março de 2001, a avaliação positiva do governo FHC era de 33,3% e a avaliação positiva do presidente Fernando Henrique Cardoso era de 45,6%. TRANSFERÊNCIA DE VOTOS Apesar da queda da aprovação pessoal e de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou sua capacidade de transferência de votos. Segundo o levantamento, a parcela dos entrevistados que somente votaria em um candidato apoiado por Lula passou de 15,6% em dezembro para 21,5% em março. A taxa dos que não votariam em alguém que Lula indicasse também subiu, de 18,4% em dezembro para 20,3% em março Segundo o coordenador da pesquisa, essa situação mostra que, embora tenha havido uma piora da avaliação do governo, a população começa a tomar partido e a entrar mais no clima da eleição. Uma prova disso, segundo ele, é o fato de que o porcentual dos que responderam na pesquisa espontânea que votariam em Lula para presidente caiu de 21,3% em janeiro para 16,2% em março. Como o presidente não pode disputar um terceiro mandato, a redução do porcentual de pessoas que dizem que querem votar nele mostra que a população começa a se informar sobre o pleito já que o presidente não pode disputar mais um mandato. De acordo com Guedes, essa maior transferência de votos do presidente pode ser notada também pelo crescimento das intenções de voto em Dilma Rousseff, que seria a candidata de Lula. EMPREGO A crise econômica mundial gerou profundo impacto na avaliação da população sobre a situação do emprego e da renda. Segundo a pesquisa CNT/Sensus, o porcentual dos entrevistados que observaram, em março, piora na situação do emprego nos últimos seis meses chegou a 54,5%. Na pesquisa anterior, de janeiro, essa taxa era de 38,5%. Já os que avaliam que houve melhora no mercado de trabalho foram apenas 20,9% em março, ante 32,7% em janeiro. Com relação à renda, 32,6% das pessoas disseram, em março, que ela diminuiu, ante 23,2% da pesquisa anterior. A taxa dos que perceberam melhora na renda variou pouco, caindo de 25,3% em janeiro para 24,6% em março. A CNT/Sensus também perguntou a seus dois mil entrevistados qual a expectativa que eles têm para emprego e renda nos próximos seis meses. O resultado foi que houve uma diminuição nas expectativas positivas, mas o otimismo ainda predomina. O porcentual dos que responderam que o emprego vai melhorar no futuro caiu de 51,1% em janeiro para 48,8%. Apesar da redução, a avaliação positiva ainda supera, com folga, a fatia dos que dizem que vai piorar, que, em março, foi de 22,1%. Com relação às projeções para a renda nos próximos seis meses, os que dizem que ela vai aumentar caíram de 51,7% em janeiro para 49,2% em março. A fatia dos que acreditam em diminuição da renda passou de 11,1% em janeiro para 14,4% em março. Essas expectativas são usadas pela CNT/Sensus para calcular o chamado índice do cidadão, que mede a avaliação geral da população em relação ao País. O indicador foi de 41,18 pontos em março. Como está abaixo de 100, isso indica avaliação negativa. O levantamento também verificou que 44,8% dos entrevistados têm medo de perder o emprego. Esse porcentual é superior aos 42,7% que manifestavam o mesmo receio em janeiro. Ainda verificou-se que 52,5% dos entrevistados são favoráveis à redução da jornada de trabalho com diminuição dos salários como medida para evitar demissões. Apesar do avanço do pessimismo verificado de maneira geral na pesquisa, 46,3% dos entrevistados acreditam que o Brasil sairá fortalecido da crise. Em dezembro, essa perspectiva era compartilhada por 41,9% dos entrevistados. Além disso, 40,1% das pessoas ouvidas avaliaram que o governo está lidando com a crise de maneira adequada, ante 26,5% que acham que o tratamento não está sendo adequado.