BRASIL
Quinta-feira, 26 de Março de 2009, 20h:41
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SATIAGRAHA
CPI reconvoca Daniel Dantas e juiz
ANA PAULA SCINOCCA
Da Agência Estado Brasília
A CPI dos grampos aprovou ontem a convocação para que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, prestem depoimentos à comissão. Os deputados querem explicações do juiz sobre a sua decisão de negar à CPI o compartilhamento de dados da Operação Satiagraha. De Santis foi o responsável por deferir, por duas vezes, ordem de prisão ao banqueiro Daniel Dantas. Ele também aparece como responsável por ter decretado as prisões da Operação Castelo de Areia, que levou para a cadeia diretores da Camargo Corrêa ontem (25). Em relação a Dantas, a CPI tem a expectativa de que ele fale sobre sua participação em escutas telefônicas. Na semana passada, a CPI chegou a ir a São Paulo pedir, pessoalmente, que De Sanctis liberasse os dados para que a comissão pudesse dar continuidade a seu trabalho no Congresso. O juiz, um dia depois, respondeu, por meio de ofício, recusando-se a compartilhar o material. A decisão do magistrado irritou os parlamentares, que agora preparam recurso judicial contra De Sanctis. Tanto De Sanctis quanto Dantas já prestaram depoimento à CPI no ano passado. DEPOIMENTO Ontem de manhã, quem prestou depoimento na CPI foi o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo. Ele negou participação na Satiagraha e repetiu versão apresentada anteriormente à CPI. Segundo disse aos deputados, Araújo relatou que apenas indicou o ex-agente do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), Francisco Ambrósio, ao delegado Protógenes Queiroz. "Protógenes é um amigo e, quando ele pediu esse favor, que não envolve a instituição Força Aérea, ele me pediu um agente aposentado e não havia motivo de comunicar a minha chefia que estava fazendo um favor a um amigo. O Ambrósio é meu amigo", disse. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) considerou "contraditória" a versão de Araújo uma vez que Protógenes teria afirmado, em depoimento ao Ministério Público, que o sargento participou da operação. Depois, o próprio Protógenes voltou ao Ministério Público Federal para "corrigir" a informação e ressaltar que Araújo apenas apresentou Ambrósio a ele. Jungmann defendeu a aprovação de requerimento para a realização de acareação de Araújo com Protógenes, uma vez que os dois apresentaram versões distintas à comissão. A exemplo do ex-funcionário da Abin Jairo Martins de Souza, que na véspera prestou depoimento, Araújo também disse à comissão que foi usado como "bode expiatório" pela Abin, e que a CPI deve investigar, de fato, o envolvimento da agência na Satiagraha.