BRASIL
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010, 02h:24
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HAITI
Corpos chegarão ao Brasil amanhã
VANNILDO MENDES e DENISE CHRISPIM MARIN
Da Agência Estado Brasília
Os corpos de 17 militares brasileiros mortos no Haiti chegarão ao Brasil amanhã e serão alvo de honras militares em solenidade coletiva a ser realizada na Base Aérea de Brasília, às 15h30. A seguir, eles serão trasladados para os Estados de origem, onde serão sepultados como heróis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá estar presente, além do ministro da Defesa, Nelson Jobim, vários ministros e autoridades dos demais poderes, além de representantes da sociedade civil e familiares das vítimas, que confirmaram interesse em participar das homenagens. O Comando da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) expôs hoje ao governo brasileiro sua avaliação de que, neste momento, não será necessário o aumento de seu contingente. Entretanto, reconheceu que a decisão do Conselho de Segurança de autorizar o aumento do efetivo em 3.500 homens - 2.000 militares e 1.500 policiais - abre para a Minustah uma margem de segurança para o caso de agravamento da violência no País. Em videoconferência com autoridades de vários órgãos do governo reunidas no Itamaraty, o general Floriano Peixoto, comandante da Minustah, ponderou que os casos mais graves de violência - confrontos e saques - não são generalizados e que as vias de Porto Príncipe estão desobstruídas, o que facilita a ação das forças de segurança. Em sua opinião, a situação se mostra menos grave que a versão difundida pela imprensa. Caberá ao próprio general Floriano decidir em quantos homens os contingentes militar e policial da Minustah serão alterados, com base no limite dado pela resolução do Conselho de Segurança, e como esse aumento se dará ao longo do tempo. Atualmente, a Minustah é composta por 9.151 militares e policiais. O Brasil responde por 1.266 homens. Segundo o Ministério da Defesa, o País estaria apto para o envio de mais 10 mil homens - o total de soldados e policiais brasileiros que já passaram pelo Haiti desde 2004. Mas o governo aguarda a solicitação oficial da ONU - com o número definido - para dar início a um processo interno de decisão. Depois do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a palavra final caberá ao Congresso Nacional, que terá de aprovar um decreto sobre o envio adicional de contingente brasileiro na Minustah. DEPÓSITO O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, determinou ontem depósito de US$ 5 milhões na conta específica para o Haiti aberta pelo Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (OCHA-ONU). O valor compõe o total de US$ 15 milhões que o governo brasileiro prometeu desembolsar em socorro ao Haiti e responde ao "chamado-relâmpago" do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moom, em favor de uma ajuda emergencial para o país destruído pelo terremoto do último dia 12. A autorização para o depósito urgente de US$ 5 milhões, que deve cair hoje nas contas da OCHA-ONU, se deu um dia depois da decisão do Ministério do Planejamento de abrir um crédito extraordinário de R$ 35 milhões (US$ 19,8 milhões, conforme a cotação do dólar desta terça-feira) para o Ministério das Relações Exteriores destinar a ações de cooperação e a projetos humanitários no Haiti.