BRASIL
Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010, 01h:55
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DILMA
Começa o processo de 'mineirização'
IVANA MOREIRA
Da Agência Estado BH
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, desembarca hoje em Minas Gerais para a primeira de inúmeras visitas já previstas ao Estado neste ano. Com o governador Aécio Neves (PSDB) fora da disputa presidencial, os aliados de pré-candidata petista trabalham para que ela conquiste os conterrâneos e garanta uma boa diferença de votos no segundo maior colégio eleitoral. A presença de Dilma não está condicionada à presença do presidente Lula. Além dos eventos oficiais, onde estará acompanhando seu principal cabo eleitoral, a ministra também estará em Minas por conta própria, seja simplesmente para visitar a mãe ou para receber um diploma de honra ao mérito da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte e uma homenagem da Assembleia Legislativa do Estado. O argumento para as homenagens é a contribuição da ministra ao liberar verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras como a duplicação da Avenida Antônio Carlos, na capital. Nos compromissos já confirmados, está também um encontro de jovens organizados pelo presidente do diretório mineiro do PT, o deputado federal Reginaldo Lopes. O objetivo é fazê-la passar o máximo de tempo possível em Minas Gerais. Há pelo menos um ano, desde que Dilma passou a ser considerada a candidata do presidente Lula, seus principais aliados no Estado - como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel - trabalham na sua "mineirização". É preciso convencer o eleitorado que, embora tenha passado a maior parte de sua vida fora de Minas, a ministra tem profundas raízes com o Estado. "Ela estudou no Estadual Central", costuma repetir Pimentel, quase como um mantra. A escola tradicional foi responsável, no passado, pela formação de cidadãos ilustres das Gerais. Sempre que tem chance, o ex-prefeito lembra também que a colega de juventude frequentou o Minas Tênis Clube, até hoje uma referência capital mineira, e que foi aluna da Universidade Federal de Minas (UFMG). Com Aécio na disputa, as chances de a estratégia decolar era vista com reservas, inclusive entre os petistas. Mas, com a decisão de Aécio de desistir da disputa e deixar a vaga de candidato tucano para o paulista José Serra, os aliados da ministra ficaram mais animados. Os petistas acreditam - e a maior parte dos analistas políticos concordam - que haverá um sentimento "anti-Serra" no eleitorado de Aécio, favorecendo o crescimento da campanha de Dilma em Minas. O cenário será outro se Aécio acabar aceitando a composição puro-sangue, saindo como vice na chapa de Serra. Mas, como até agora, o governador só tem dado sinais ao contrário, a avaliação é de que o terreno está livre para Dilma. Hoje, colada em Lula, a pré-candidata à Presidência estará em três cidades mineiras: Jenipapo de Minas e Araçuaí, no norte de Minas. O motivo da viagem é a inauguração da Barragem de Setúbal, uma obra que custou R$ 160 milhões e era esperada desde a década de 1980 pela população de Jenipapo de Minas.