BRASIL
Quarta-feira, 06 de Janeiro de 2010, 00h:04
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TRAGÉDIA
Buscas às vítimas em Angra continuam
No Morro da Carioca, prosseguem as buscas do corpo da última pessoa desaparecida no deslizamento de terra que ocorreu na madrugada do ano-novo
ALFREDO JUNQUEIRA
Da Agência Estado - Angra dos Reis
Depois de quatro dias de isolamento, com falta d'água e luz, os moradores do bairro de Vila Velha, em Angra dos Reis (Rio), tentam voltar à rotina. Até o início da noite de anteontem, as 300 famílias que vivem na comunidade e nos condomínios de luxo da região, localizada a cerca de 10 quilômetros do centro do município, só conseguiam acessar os demais pontos da cidade com embarcações. Única via de ligação do bairro, a Estrada do Contorno estava totalmente interditada desde as primeiras horas do dia 1º de janeiro, quando uma forte chuva castigou Angra dos Reis e acabou provocando 52 mortes, número que inclui os dois corpos encontrados ontem pelas equipes de buscas na enseada do Bananal. OPERAÇÕES De acordo com o diretor de Operações do Corpo de Bombeiros, Carlos Bonfim, as vítimas provavelmente são as turistas paulistas Emanuele Rodrigues Neto e Fernanda Muraca, que passavam as festas de fim de ano em uma casa alugada no balneário. Bombeiros e mergulhadores ainda procuram a última vítima do deslizamento, identificada por parentes como Roseli Marcelino Pedroso, de 34 anos. Por toda a Estrada do Contorno o cenário é de destruição. Toneladas de terra e lama se acumulam na pista - uma via de mão dupla de 18 quilômetros que vai do centro da cidade até o bairro Encruzo da Enseada. Em muitos pontos, a estrada está aberta em meia pista, para a passagem de apenas um veículo por vez. Uma imensa pedra deslizou da encosta que margeia a via e parou praticamente na porta da casa de Beatriz Heloísa Pinheiro Guimarães, de 70 anos, prima do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães. "Ele até ligou para a minha irmã, no Rio, para saber se eu estava viva", disse Beatriz, bem-humorada. "Já sobrevivi a terremoto em Pequim, em 1976. Não será dessa pedra ou dessas chuvas que eu vou ter medo". LAMENTO Perto dali, numa residência humilde, o operador de roçadeira Moizes Nogueira, de 50, lamentava os estragos que a chuva provocou na sua casa. O local ficou cheio de rachaduras no piso e nas paredes e foi condenado pela Defesa Civil do município. A recomendação, segundo Nogueira, é para sair de casa caso volte a chover. Ele tem passado os dias na casa de um sobrinho, também em Vila Velha. "Dá uma tristeza danada. Essa casa é fruto de anos de trabalho como caseiro. Sempre ia juntando um dinheirinho, pagando um pouco. Agora, estava até reformando, mas todo o piso ficou quebrado", lamentou Nogueira, que está ajudando nas operações de desobstrução de pistas desde o dia 1º. MORRO DA CARIOCA Ontem, no Morro da Carioca, o Corpo de Bombeiros prosseguiu na busca do corpo da última pessoa desaparecida no deslizamento de terra que ocorreu na madrugada do ano-novo. Trata-se de Alessandra Emídio de Carvalho, de 11 anos. A operação para demolir parte das casas condenadas prosseguiu. A expectativa era que 20 imóveis fossem destruídos ainda ontem. (Colaborou Pedro Dantas)