Atropelador foi impedido de registrar B.O, diz advogado
PEDRO DANTAS
Da Agência Estado Rio
O advogado Spencer Levy, que defende Rafael Bussamra, de 25 anos, acusou policiais militares de impedirem que o atropelador registrasse a ocorrência do acidente que matou o estudante Rafael Mascarenhas, de 18, filho da atriz Cissa Guimarães e do saxofonista Raul Mascarenhas, na madrugada da última terça-feira, no Túnel Zuzu Angel, na Gávea, na zona sul do Rio. Bussamra prestou nesta segunda-feira (26), na 15ª Delegacia de Polícia da Gávea (zona sul), novo depoimento sobre a suposta extorsão dos PMs. Ontem, a Corregedoria Interna da Polícia Militar pediu a prisão preventiva do cabo Marcelo Bigon e do sargento Marcelo Leal à Delegacia de Polícia Judiciária Militar. No último sábado, o Tribunal de Justiça do Rio negou o pedido de prisão feito pela Polícia Judiciária Militar. Eles estão presos administrativamente no 23º Batalhão do Leblon. A defesa do atropelador afirma que ele e o pai, o empresário Roberto Bussamra, foram coagidos pelos policiais a não registrarem a ocorrência em troca de R$ 10 mil. "Eles (os PMs) não se preocuparam com o estado de saúde da vítima. Meu cliente foi retirado do local do acidente e acompanhado para um local onde foi feita a exigência (da propina). Para o meu cliente era muito tranquilo vir até a delegacia, porque o quadro era de lesão corporal culposa", disse o advogado. Levy contou que os policiais escoltaram o carro do atropelador até um posto de gasolina, a poucos metros da 15ª Delegacia de Polícia da Gávea. Eles fizeram contato com o pai do rapaz e marcaram um encontro na Rua Pacheco Leão, nas proximidades de uma das sedes da TV Globo, onde exigiram o dinheiro. O encontro foi captado pelas câmeras de segurança da emissora. "Os policiais diziam para o pai que ajudaram Rafael a sair do local e passavam pelo rádio que o atropelador tinha fugido. Eles também passaram a informação de que a vítima do atropelamento estava bem no hospital. Nada disso era verdade. O pai exigiu ir até a delegacia e foi ameaçado", afirmou o advogado.